sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sinal vermelho


Ola meus queridos(as)

Caiu o primeiro dente de leite do I., fizemos todo o ritual da fada do dente com direito a deixar o dente embaixo do travesseiro e moeda em troca. Marquei uma consulta no dentista (ops, desculpe odontopediatrista), 14:30. Arranjo e desarranjo os horários, faço uma ginástica temporal e lá vamos nós. Chegamos no horário, milagre... espera, espera; a doutora não chega. Uh, será que ficou presa no trânsito ou aconteceu algo? 15:30 desisto, vamos embora. Uma mescla de "estou puta" e preocupada (vai que aconteceu algo) envio um whatsapp. Resposta, sim a consulta é as 14:30 mas na próxima segunda feira (hoje é sexta)! 

Devo estar enlouquecendo mesmo. Ou o Alzheimer esta foda! Ri um monte primeiro e depois comecei a pensar, não sou eu totalmente vivendo no mundo da Lua (sei que as vezes moro lá uns tempos), isso é algo mais... é estresse, é falta de atenção, é maluquice mesmo! Sou eu atropelada por mim mesma... Acho que estou cansada, é isso, estou cansada. E qualquer dia destes esqueço meu filho na escola, na natação ou em outro lugar. Ou esqueço uma reunião importante, ou esqueço meu nome... sei lá. Não quero ser dramática, mas nesses momentos precisamos parar e repensar. O que esta acontecendo? 

Alerta vermelho, momento desacelerar, colocar o pé no freio, ir pra praia mas como agora? No meio de um projeto para o CDP (Carbon Disclosure Program) com uma deadline apertadíssima, I. no meio do semestre escolar, como simplesmente ir para praia? Talvez um final de semana.

Mas é um sinal...minha cabeça esta em curto circuito!


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O terror


Ola meus queridos(as)

De tempos em tempos dou uma fuçada nos blogs por ai, grande parte dos dinossauros se aposentaram (o que é ótimo) ou tomaram outros rumos escrevendo sobre X (poesia, evolução espiritual, dieta etc...). Alguns ainda existem e continuam ajudando muita gente (quero acreditar eu), alguns novos aparecem enfim, é um ciclo. 

Mas ainda vejo muita dor, muitas vidas (principalmente mulheres, mães) sofrendo, perdidas... e isso dói aqui dentro também. Queria poder simplesmente dizer a todas elas que não estão sozinhas, procure ajuda (o Nar-Anon foi e é a minha casa), deixe a vida fluir e tudo vai ficar bem. Quando você esta no olho do furação, nenhuma dessas palavras fazem o mínimo sentido... Eu sei. É trabalho de formiguinha mesmo, um tijolo de cada vez. É pesado o primeiro tijolo, o segundo um pouco menos e dia após dia, sua casa vai sendo construída e no final, que vontade de levantar mais um tijolo! Com satisfação você olha para trás e fica feliz com o que construiu... Você se reconstruiu!!!!

Quanto tempo leva? Não sei, meses, anos, décadas.... uma vida toda; vale a pena? Opa! É a sua vida, né? Só temos essa. A dor causada por conviver com um dependente químico não tem tamanho, os absurdos, o medo, o abuso (emocional ou físico), a culpa, e porque não dizer, o terror! É um terrorismo bárbaro, ficamos reféns desse terror e nos libertamos APENAS quando decidimos dar um basta. O terrorista não vai nos libertar, somos nós que um belo dia de sol saímos andando e foda-se! E o terrorista deixa de existir... E ele não é mais alguém que pode te machucar, é apenas mais uma pessoa que sofre também. E neste momento cabe a você decidir se quer continuar convivendo com essa pessoa, que não é apenas mais do que uma pessoa, ou não.

Ou foda-se! É sempre uma boa opção! Viva e deixe viver...

P.S: Desculpe se metade do NA teve um chilique agora, mas todo adicto na ativa é um terrorista sim, e cuidado, ele vai explodir uma bomba na sua vida se você deixar, e destruí-la!


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Um ano limpo e sereno(?)


Ola meus queridos(as)

E o inatingível foi atingido. Semana passada o Caiçara trocou sua ficha: limpo e sereno por um ano! Não pude deixar de me orgulhar um pouquinho (mas não contei para ele), continuo na postura "não esta fazendo mais que a sua obrigação"...MAS algo aqui dentro mudou. Sabe quando você se permite voltar a acreditar que é possível ele viver sem drogas? Talvez até o dia que ele morrer bem velhinho ou num acidente de carro, vai saber... mas limpo. Já a parte que diz sereno, são outro 500s. 

Ninguém muda da água para o vinho, infelizmente ele ainda tem alguns comportamentos totalmente inadequados e explosivos do nada. Estou chegando a conclusão que ser "estouradinho" faz parte da personalidade dele mesmo, e cabe a ele apreender a lidar com isso. Alias eu também, você também, o universo também tem momentos que nos comportamos "meio" fora do eixo. No fundo faz parte do ser humano, não somos perfeitos nem nunca seremos. Chegou o momento de parar, analisar e permitir que ele seja ele, não tem mais a droga para culpar. 

Sereno, eu lá vivo serena? Não. Tenho momentos de serenidade, de paz, e outros de estresse, de TPM, de saco cheio e TUDO bem! O truque é esse, se aceitar e buscar um equilíbrio entre matar alguém e salvar o mundo. 

Meus queridos, não sei em que momento vocês estão, querendo matar alguém ou salvando o mundo MAS procurar um meio termo, um equilíbrio parece ser a chave. Não a chave da felicidade eterna, mas a chave para uma vida BEM vivida!!! Então vamos lá!

E parabéns meu amor! Que vários outros anos virão... limpos, e se possível, serenos!

sábado, 30 de julho de 2016

A bruxa evangélica


Ola meus queridos(as)

Algo de podre paira sobre o reino da Dinamarca... Quando era criança escutava isso, e pode ser um ditado bem bobo mas quando algo cheira mal... eu lembro dele, e algo cheira mal aqui. É sempre assim quando o Caiçara resolve ligar para irmã bruxa/evangélica dele. O ar pesa, cheira mal, e depois lá vou eu jogar sal grosso na casa inteira. É sério, vocês devem estar imaginado que enlouqueci mas não, tudo pesa, seca, escurece; esse ser é um não ser, desprovido de luz e suga tudo e todos! Quase como um buraco negro. Mas até um buraco negro tem sua função no universo, só ainda não sei qual é a dela. 

Algumas pessoas simplesmente não apreendem, e o Caiçara é uma delas. Inúmeras vezes pedi que ele  continue andando sem olhar para trás ou carregar essa bruxa com ele, mas algo dentro dele não consegue simplesmente se desvincular... mas ela é minha irmã, jura? Foda-se. Irmã não é isso meu querido. Esse ser apenas nasceu da mesma barriga que você e mais nada. 

Eu não tenho mais raiva como alguns anos atrás, hoje eu tenho dó e mais nada, Quanto mais longe de mim e do meu filho (boa tia nem lembrou do aniversário dele), melhor. Alias eu só lembro que essa bruxa evangélica existe quando o Caiçara lembra que ela existe, por mim, honestamente tanto faz quanto tanto fez. Mas ela o afeta, o transtorna, não faz nenhum bem à ele; clássica relação tóxica, Desejo que o Caiçara consiga quebrar essa relação com esse ser MAS quem sou eu... 

Enquanto isso, ignoro, e vou vivendo minha vidinha que esta gostosa! E sinto muito que o ser humano ainda não entendeu o que importa na vida. 


Mamãe águia


Ola meus queridos(as)

E mais um ano na vidinha do I. é comemorado. Meu pequeno fez 5 aninhos!!! Como o tempo passa, não, passa não voa... outro dia ele estava no meu colo e agora correndo enlouquecido por ai. Cheio de personalidade, um serzinho, mas um SER, único, com gostos e (des)gostos, opiniões, vontades, sonhos, maluquices. 

Para uma mãe, é uma mescla de sentimentos; uma enorme compensação por ver seu filho crescer saudável e feliz explorando o mundo, mas ao mesmo tempo, um medo tão enorme quanto por vê-lo começar a caminhar pelas próprias pernas; a cada ano que passa sinto que o cordão umbilical vai se estendendo, até um dia romper de vez.  Fisicamente o cordão umbilical foi cortado 5 anos atrás, e racionalmente sei que o cordão emocional nunca será cortado MAS mãe quer os filhos embaixo das asas, mesmo sabendo que eles precisam voar... 

Outro dia estava assistindo um documentário muito interessante sobre as águias americanas (american eagles), lentamente sua população aumenta a cada ano e provavelmente estarão fora da lista de espécies em extinção em breve com esse crescimento populacional. Entre outros fatores, começando por nós humanos a preservar seu habitat natural; as águias voltaram a se reproduzir e serem bons pais ensinando seus filhotes a sobreviver. Lá estava a mamãe águia, no topo de um cliff com seus filhotes no ninho e chegou o momento de ensiná-los a voar. Um por um, relutantes, os filhotes não queriam simplesmente pular no abismo; a mamãe águia sabia que, para eles sobreviverem, teriam que apreender a voar e carinhosamente foi encaminhando os até a beira do penhasco. E com todo o instinto do mundo, a mamãe águia empurrou seus filhotes... e alguns saíram voando em três segundos, outros demoraram um pouco mas começaram a bater as asas, e um simplesmente caia em queda livre quando a mamãe águia abriu as asas e voo em sua direção; e o filhote começou a imitá-la e bater as asas também. 

No fundo é isso, eu gostaria de ser a mamãe águia com sua sabedoria, seu instinto e coragem de empurrar seu filho do penhasco para que ele apreenda a voar quando a hora chegar! 



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Tatjana manuska


Ola meus queridos(as)

Essa é a segunda estória/lenda da minha família, lado materno polonês/russo. Minha avó e meu avô, os dois engenheiros de minas vivendo sua vidinha, minha tia já nascida pequenininha com uns dois ou três ano, minha avó grávida (da minha mãe), em Varsóvia, na sua casa da cidade e outra no campo. É o que era chamado de casa de inverno e verão, na época era comum. Minha avó sempre amou mais os verões que os invernos, e a casa do campo era seu refúgio. Nesse oasis ela cultivava suas orquídeas na estufa o ano todo, plantava seus morangos para compotas, e beterrabas para um bom borsch...  e amizadse com os "criados". Um belo dia a mulher do caseiro entrou em trabalho de parto, difícil, longo, complicado, o médico não chegava (hospital...nem pensar né), e minha avó saiu do salto alto, tirou o casaco de mink, e literalmente fez aquele parto sozinha! Diz a lenda que chamaram o bebê de Tatjana... em homenagem a minha avó Tatjana. 

Rapidamente os tempos mudaram, a Alemanha nazista invadiu a Polônia, e a casa de verão foi invadida pelas tropas,  e as orquídeas destruídas, as beterrabas esmagadas... e minha avô, que só era polonesa, não judia embarcou para Auschwitz sem suas orquídeas, grávida de 7 meses. Minha mãe nasceu num campo de concentração, longe do seu berço tão decorado, seus bichos de pelúcias, das orquídeas. Mas minha avó nunca se dobrou, cortou quilos e quilos de batata numa cozinha pobre e gelada enquanto minha mãe mamava grudada no seu peito (e ela agradecida por poder amamentar ela, não a mesma sorte de outros). Todos sabiam o fim, os "banhos" nos quais eram envenenados e mortos. Minha avó sabia que seus dias estavam contados, e numa noite de nevoeiro ela saiu do alojamento pedindo à Deus que fosse morta escutou uma voz... não era Deus mas um soldado da SS que patrulhava as cercas... Tajtana, Mamuska Tajtana! 

E ai entra a lenda, era ele seu criado da casa de verão que minha avó ajudou no parto da mulher. E como todos os menos favorecidos foram recrutados pelas SS por um trabalho. Combinaram um horário que ele estaria de vigília, na madrugada, para que pudessem fugir. E assim foi, numa madrugada sombria, com nada mais do que a roupa do corpo, minha mãe já andando, minha tia chorando e meu vó... o ex-caseiro não viu, e eles entraram no meio da floresta e correram, correram até chegarem num casebre, imploraram ajuda; e foram acolhidos, alimentados e dormiram numa cama depois de vários anos nas mãos dos nazistas.

Era 1945, o final da guerra... e eles chegaram na Itália e embarcaram no primeiro barco saindo da Europa para qualquer lugar e vieram parar neste pais. E até o dia que minha avó morreu nunca conseguiu pronunciar, e procurou os seus que ficaram, sumiram, morreram, e nunca desistiu até seu último dia nessa terra de acho-los e ajudá-los. Passou anos e anos enviando sacos de comida, roupas etc... voltou a Polônia inúmeras vezes buscando seus irmãos e irmãs sem achar, nenhum deles teve a mesma sorte que ela. Nunca achamos nem os túmulos.

Anos depois da sua morte confortável aqui, do lado da família, minha mãe e tia receberam uma carta do governo alemão querendo restituir as propriedades que foram da minha avó/avô desapropriadas indevidamente pelos nazistas durante a guerra.  Pois é, a casa de verão da minha avó com suas orquídeas ainda existe, e segundo minha mãe que esteve visitando uns anos atrás, continua como ela deixou. Só falta algum de nós quer ir morar lá. Já a casa da cidade, elas decidiram doar, pois um orfanato funciona lá hoje.

Muita coisa horrível aconteceu na guerra, muita coisa se perdeu mas muita coisa se achou também! Só quem viveu sabe que no concreto sempre nasce uma flor que não desisti! Isso é minha avó! Minha Babushka, que rezava toda noite o pai nosso para mim em polonês ... depois de tantos anos ainda lembro da voz dela e rezo em polonês também quando a coisa aperta!!!

P.S: A última vez que estive na Alemanha, o processo de restituição de posse não estava finalizado ainda, então não vi a estufa das orquídeas da minha avó,  mas vou, quem sabe, passar um tempo com elas e o I, em breve!









sábado, 23 de julho de 2016

O velho Manoel


Ola meus queridos(as)

Minha família é pequena mas cheia de estórias, algumas delas ninguém realmente sabe se são fatos ou lendas que se perpetuam através das gerações e se tornaram verdadeiras. Temos duas clássicas, de cada lado da família. Fiquei com vontade de escrever uma delas hoje, do lado paterno português. 

Meu bisavô Manoel (pois é, parece que todo português de Tras-os-montes se chama Manoel, como meu avô Manoel e meu pai Manoel também), cruzou o Atlântico e chegou ao Brasil no começo do século passado, em busca de aventuras e dinheiro deixando sua amada Maria debruçada numa janela no além Tejo esperando seu retorno um dia com promessas de fortuna e casamento. 

Só temos uma foto muito velha dele, desbotada em preto e branco; mas ele era bonito, jovem, com um olhar sonhador. E foi parar em Manaus, em pleno ciclo da borracha. Com sua lábia e conhecimentos, afinal de contas estudou engenharia em Coimbra, construiu um império; o "rei"da borracha (assim meu avô diz que o chamavam), prosperou, ganhou fortunas e perdeu grande parte dela com jogo e mulheres (diz a lenda). Se apaixonou por uma índia/cabocla, sumiu na floresta e anos depois voltou para Portugal, sem um centavo no bolso e casou com Maria, que ainda o esperava.  Nasceu meu avô Manoel na quinta em Tras-os-montes, (sim, esse é o nome da província, alias essa quinta esta na nossa família vai bater uns 100 anos ou mais), e tudo estava lindo e maravilhoso no reino do vinho do Porto e bacalhau por um tempo.  Mas ele, o velho Manoel ainda sonhava com as plantações de seringueiras, os trópicos, a cabocla... e ele voltou ao Brasil e nunca mais se soube dele.

Anos depois, meu avô Manoel (sei, está confuso é muito Manoel nessa estória) veio ao Brasil e aqui resolveu ficar com sua mulher, minha avó Maria (é Maria demais também né?), que não era portuguesa mas espanhola. E fizeram seu lar numa ruazinha em Perdizes, a casa ainda existe, nessa metrópole, que na época tinha bonde e não metro. Nasceram meu pai (mais um Manoel) e meu tio, meio portuguêses, meio espanhóis, meio brasileiros... Por alguns anos meu avô procurou seu pai, viajou inúmeras vezes a Amazônia, o que de mais concerto, entre as várias estórias que ele escutou, é que meu bisavô foi morto numa disputa de terra. 

Por muitos anos ninguém deu muito crédito a essa estória, até um dia um oficial de justiça bater na porta do meu avô informando que 10.000 acres de terra perdida no meio do nada na Amazônia pertencia ao meu avô. Pois é... 

Mais do que isso, apenas sobrou a velha bengala do velho Manoel, com suas inicias cravadas em ouro que meu pai guarda com carinho!