domingo, 30 de junho de 2013

Caixa postal


Ola meus queridos(as)

O pesadelo da caixa postal... já liguei, e liguei e liguei. Até agora só caixa postal! Depois da nossa desastrosa conversa no telefone ontem a noite, confesso que não tenho como não pensar no pior... Ele veio com aquela chantagem básica, momento adicto total, dizendo que iria usar, não aguentava mais, nada valia a pena e blablabla; e eu? Simplesmente respondi, problema seu, desliguei e fui dormir.

Acordei hoje, manhã gostosa com minha irmã gravidíssima em casa, as crianças brincando, almoço em família. Alias a barriga dela esta enorme, e o pequeno (mais um menino) é só para o meio de Agosto. Acho que ela não chega até o final da gestação mas, depois de 36 semanas o que vier é lucro. Agora a tarde resolvi ligar para o Caiçara na esperança que os ânimos tivessem se acalmado mas só caixa postal... Bom, fico aqui tentando me enganar, de repente ele esqueceu de carregar o celular, ou deixou desligado, ou enfiou no meio do rabo dele...Para de se enganar dona barriga! Você já sabe o que aconteceu, só esta tapando o sol com a peneira porque não quer acreditar que ele tenha RECAÍDO! Simples assim. Eita... e agora José? Se ele realmente recaiu qual será o meu comportamento frente a isso? Levantar âncora e zarpar de vez? Chutar o balde e ponto final? Ou mais uma vez estender minha mão, isso se ele pedir ajuda... 

Ok, confirmado, uma pessoa muito estranha acaba de atender o celular dele e desligou na minha cara, um celular a menos e quase 9 meses limpo jogados no lixo. É fato, agora é simplesmente esperar ele dar sinal de vida, se é que vai ter coragem de ligar. E volto ao meu dilema, como eu agir frente a essa recaída? Honestamente não sei, mas não sinto raiva, apenas dor por ele, quase compaixão (mas ainda não cheguei lá... um pouco de mágoa e talvez, decepção, é isso estou decepcionada!). 

Puxa, pedi tanto que ele realmente se apadrinha-se, se desliga-se de pessoas e hábitos, sai-se daquele manicómio, abraça-se essa nova oportunidade que o PS estava lhe dando... é queridos, tudo em vão. Agora apenas peço que ele consiga se levantar, recomeçar do zero; porque zerou tudo! Tudo! E o orgulho ferido, não sei quanto tempo vai demorar até ele se levantar. E eu? Eu nada, amanhã é dia de "branco" como meus pais médicos dizem, trabalho, filho, rotina... Mas confesso, aqui estou eu tentando manter minha serenidade, olha as vezes me surpreendo comigo mesma, não me descabelei, não peguei o carro e desci a serra enlouquecida, não fiz nada... absolutamente nada! E continuarei a não fazer nada até saber o que fazer. Como disse minha madrinha, silêncio para poder escutar! 


Comunicação zero


Oa meus queridos(as), 

Diálogo, comunicação... sem isso nada vai para frente. Hoje, confesso que tentei, tentamos mas não deu, zero à zero mesmo. E cogitei simplesmente chutar o balde. 

Não conto os dias, os meses, os anos... mas hoje parei para lembrar a quanto tempo estamos " juntos" e estamos chegando em 4 anos (mais ou menos). Quatro anos da minha vida! Sem perceber, foram longos 4 anos e passaram num piscar de olhos. Ainda tenho viva a memória do dia que nos vimos pela primeira vez (diz ele que já tinha me visto antes), era tudo tão o momento, espontâneo, sem bagagem... uma partida de sinuca, sem pudores, uma noite sem fim... E nos entregamos, simples assim, sem ontem ou amanhã. Mas o amanhã chegou e vários outros depois e fomos tentar viver os amanhãs, ingenuamente sem saber as consequências. Nos magoamos, nos ferimos buscando o que não existe... e fomos construindo castelos de areia, desmoronando a cada cheia de maré. Será que apreendemos a não mais construir castelos de areia? Eu sim, ele nem tanto....

As vezes tenho vontade de simplesmente voltar naquele momento, quando nos conhecemos e continuar vivendo este momento, porque  foi único e sempre será! Mas a minha realidade não me permiti viver nenhum conto de fadas (por mais que eu queira); será que endureci minha casca ao ponto de simplesmente não acreditar mais? 

Nada como uma longa conversa com minha madrinha, com direito a chulapadas (báscias) para voltar ao meu centro.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Nada depende do tempo


Ola meus queridos(as)

Ufa, agora sim! Sexta a noite, filho dormindo no berço, trabalho em dia, cervejinha, musiquinha e aquela sensação de missão cumprida (só por hoje né?). E como sou de sagitário, vou filosofar.... 

Lembro-me de um professor de bioquímica uruguaio que tive na faculdade, até cheguei a fazer estágio no seu laboratório quando ainda me deslumbrava com o DNA mitocondrial dos quelônios. Isso foi antes de eu ser salva pela oceanografia física e suas belas equações de vorticidade e dizer bye bye a biologia. Ainda ecoa nas minhas memórias aquele sotaque portenho, fosfolipídeos soava algo como fófolipídeos... sua primeira aula, ele entra na sala em silêncio e escreve na lousa (pois é, sou do tempo que existia lousa e giz, eu mesmo dei muita aula assim, minhas mãos eram brancas de tanto pó de giz): O que es la vida? Claro que sua proposta com essa pergunta era nos levar a uma definição do que é a vida sobre a luz da abordagem evolucionista darwiniana, resumindo como classificar o que é vida e quando a vida "surgiu"? Uma cadeia de aminoácidos é viva? Na minha simplista visão estar vivo implica em ter um prazo de validade, morrer... o velho ditado popular: para morrer basta estar vivo. Uma cadeia de aminoácidos morre? Não sei. Uma rocha magmática morre? Não, ai ficou fácil.

Porém dentro de uma ótica físico-química, a lei da conservação de massas (mais conhecida como lei de Lavoisier, 1760) nos diz que dentro de um sistema, nunca se cria nem elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma para outra. De uma forma um pouco mais elaborada e recente, a própria conservação de energia nos modelos mais modernos na física, como a mecânica quântica. Não vou ficar divagando sobre o histórico da primeira lei da termodinâmica muito menos da conservação de energia da mecânica clássica (todas essas consequências do lindíssimo Teorema de Noether, sem entrar nos conceitos matemáticos necessários para realmente ver a beleza de tal teorema como difeomorfismos de um sistema Lagrangeano e grupos uniparamêtricos entre outros). Trocando em miúdos, o que esse teorema estabelece é que " Nada depende do tempo, por si só". E chegamos a teoria da relatividade, aonde Einstein nos deixa um legado não apenas na concepção espaço-tempo (entre outras) mas questionamentos filosóficos também. O tempo é apenas um vector neste sistema métrico riemanniano  quadrimensional. Trocando em miúdos: anda para frente, para trás, para os lados, para cima, para baixo, em círculos, em espiral e outras figuras geométricas! O tempo torna-se um eixo neste sistema quadrimensional. 

Percebi que perdi metade dos meus queridos amigos(as) que leêm essas melecas que escrevo agora! Voltando, o que é a vida? Segundo EU, que disse que para estar vivo a condição é deixar de existir um dia (morrer) , o que implica na passagem do tempo, dentro desta abordagem relativista você não deixa de existir, nem de nascer, nem de morrer, nem de crescer... nunca e sempre, pois o tempo é relativo (apenas um eixo num sistema métrico). E a massa/energia é conservada!

Carro velho


Ola meus queridos(as)

Depois de dias e dias aquela garoazinha chata, um sol tímido aquece esse final de tarde nesta sexta feira! Final de módulo da pós-graduação, relatórios atrasados e um filho pilhado ocuparam todo o meu tempo. Faz uns dias que abria o blog, e o telefone tocava, um email importante chegava, ou o cansaço batia.... enfim, percalços da nossa vidinha paulistana. Estava pensando nisso outro dia, quando eu acelero é a la Airton Senna mesmo, mas quando desacelero... sou pior que baiano deitado numa rede. Digamos que essa semana estava no modo fórmula 1, e talvez tenha sobrado um pouco para o Caiçara. Apesar de nos falarmos com a mesma frequência, não pude dar "aquela" atenção e ele também teve seus momentos "adicto egocêntrico"com direito a tchau, estou desligando (na sua cara). 

No fundo ele ainda é emocionalmente dependente de mim, e acaba me responsabilizando por coisas que são apenas suas e eu tenho a minha vida para tocar, as minhas responsabilidades também. Aos poucos ele vem percebendo isso, e que eu não sou mais a sua muleta... estou disposta a caminhar ao seu lado, de mão dadas; nem na sua frente, nem atrás e muito menos carregando ele nas costas. Claro que existem momentos que precisamos de um empurrãozinho para o carro pegar no tranco, mas uma vez que ele pegou, anda sozinho agora. Mas vira e mexe o carro afoga e a gente empurra denovo, tudo bem. Carro velho é isso ai! 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Memória sensorial


Ola meus queridos(as)

Olha, eu não duvido mais de intuição ou chame como quiser! Ontem comentei com o Caiçara sobre o tal "sonho" que eu tive, sem nenhuma maior conotação a não ser, claro, meus medinhos e blablabla... quando ele disse; eu quase recai hoje. Como assim? Não amor, não é nada com você, apenas eu e minhas paranóias, eu confio em você esta tudo certo, foi só um sonho... Não amor, foi por pouco mesmo, juntei todo o arsenal de ferramentas, passos, NA, PS... 

Resumindo, ele estava voltando do trabalho (lá pela 1:00 da manhã, com dinheiro no bolso) e se deparou com uma pessoa fumando crack numa esquina (em pleno centro da cidade). Chegou a sentir o gosto da droga na boca, um desejo absurdo; dá-lhe oração da serenidade, acelerou e ufa, chegou em casa! Desta vez, são e salvo. Passou o resto do dia maquinando, barulho... Só por hoje, ele entregou ao PS que foi superior (como sempre) e não foi feita a sua vontade de usar (por ele, talvez tivesse ido mesmo). 

É meus queridos, por mais que eu estude, entenda... essa doença fala, não, grita alto mesmo! Acho que as vezes ainda não tenho a total compreensão da dimensão que conviver com ela deve ser, quando meus amigos do NA dizem que é matar um leão por dia, é isso mesmo! Fiquei muito feliz por ele, primeiro ter sido honesto comigo e partilhado algo tão "pesado" assim, obrigado pela confiança. E tal espaço hoje só existe porque ele se sente confortável, ele sabe que não vou pular no pescoço dele ou julgá-lo (como antes). Segundo porque ele foi colocado numa situação de riso (sem querer) e conseguiu sair, algum mecanismo dentro dele segurou sua obsessão, algo dentro dele falou mais alto que a doença e ele resistiu bravamente. Embaralhou um pouco, óbvio, mas no fundo o que importa é que ele não usou, e só por hoje, continua limpo! 

Espero que com um maior tempo limpo essa memória da droga fique cada vez menos viva dentro dele, é ainda tudo muito recente, e essas sensações sensoriais são foda! Um exemplo (tentando fazer um paralelo com a realidade de quem não é adicto), você AMA pizza mas esta de dieta e lá vem aquele panfleto no correio da nova pizzaria do bairro com uma foto maravilhosa, colorida da sua pizza favorita. Sua boca enche de água, você lembra do gosto, do cheiro e quase já pegou o telefone para ligar e pedir uma grande com borda recheada. Memória sensorial é isso. 

Enfim, bem que o PS podia me dar essa intuição para os números da mega sena acumulada né? 

domingo, 23 de junho de 2013

Sonho...não, pesadelo mesmo


Ola meus queridos(as)

Acordei no meio da madrugada suando frio, coração acelerado de um sonho horrível! Parecia tão real...  consegui me acalmar (é só um sonho), voltei a dormir (demorou um pouco) mas acordei com alguns fragmentos deste sonho. Ao longo da manhã eles foram se dispersando, mas algumas sensações ficaram. 

É meus queridos, tive um pesadelo com a tão assustadora e temida recaída. Como nada é muito linear ou específico quando sonhamos, vou (inutilmente) tentar descrever da melhor forma possível. Estávamos num hotel maravilhoso, nós três juntos (eu, o Caiçara e o I.), não era nenhum lugar que eu conheça na realidade (talvez uma mistura de vários que já estive hospedada), e de repente ele sumiu! E lá estou eu batendo numa casinha de madeira caindo aos pedaços, ninguém atende; uma pessoa estranha passa na rua e avisa que eles só vendem pedra a noite; eu digo que não estou querendo comprar nada mas procurando uma pessoa pois eu sabia que ele estava lá... (engraçado, na vida real eu nunca foi atrás dele em lugar nenhum, nem quando ele sumia dias; talvez porque eu nem soubesse por onde começar a procurar ou simplesmente porque tenho medo de biqueira e seu ar soturno, perigoso... além de que não falo a "língua" deles, não tenho cara de maluca e poderia acabar levando um tiro se eles achassem que sou da polícia). Próxima cena, estamos numa delegacia, ele esta lá totalmente drogado (também, só o vi doidão de crack uma única vez na minha vida, e foi o suficiente; aquele olhar vidrado mas vazio ao mesmo tempo nunca mais quero ver), várias outras pessoas opinando sobre o que eu deveria fazer; eu enlouquecida dizendo que ele nunca mais vai ver o meu filho, vou entrar na justiça e a frase que eu lembro pronunciar inúmeras vezes: Vamos ver quem pode mais. Chega né? Neste momento eu acordei...ufa!

É só um sonho, mas diz algumas coisas importantes. Não vou fazer uma apologia ao subconsciente e toda a teoria freudiana mas ele existe, e se manifesta quando nosso superego "adormece", baixamos a guarda e mensagens, as vezes mais explícitas outras mais subliminares, são superficializadas.  Não tenho nenhuma bagagem teória para me aprofundar neste tema (li a "Interpretação dos Sonhos" de Freud há muitos anos atrás e é isso apenas), mas o que entendo dessa elaboração oníria? Ninguém precisa ser psiquiatra, meio óbvio: é medo e raiva! Misturado com minha tradicional prepotência ("vamos ver quem pode mais" diz exatamente isso; vai bater de frente comigo se prepare, pois ninguém pode mais que eu). 

E essa raiva inconsciente? Surgiu no sonho para me lembrar que nem tudo que eu deveria ter trabalhado dentro de mim já esta resolvido, que eu racionalmente não sentir mais raiva (porque eu controlo) não significa que ela ainda não esteja lá, escondida naquelas gavetas que a gente não quer abrir; e ai junta o medo de abrir as gavetas também. O que fazer então? Aceitar minha limitação. Eu tenho medo que ele recaia, mas eu também tenho medo de ser assaltada e nem por isso me deixo ser afetada por esse medo e saio na rua todo dia sem pensar nisso (claro que não passeio na Vila Ângela as 3 da manhã de carro) ... Preciso utilizar a mesma técnica, conscientemente vem dando certo mas lá nas profundezas do subconsciente, ainda não! 

sábado, 22 de junho de 2013

Mais um dia vivido


Ola meus queridos(as)

Sábado a tarde, aquele sozinho de inverno timidamente aquecendo o dia, o I. tirando sua sonequinha depois de ter brincando a manhã inteira na festa junina da escola... Alias descobri que ele é maluco por pipoca, simplesmente comeu umas 500 mil pipocas sem parar, sentou com um balde no colo e devorou! Pequenas coisinhas que dizem tanto, eu nem sabia que meu filho gostava de pipoca! 

E preguiçosamente o sábado foi passando, minha mãe chegou e brincou com ele um pouco, torcemos juntos pelo Brasil assistindo o jogo com a Itália. Ah, isso eu sei sobre meu pequeno, a primeira palavra que ele falou foi GOL!  Não foi mamãe, nem papá, nem au-au...foi gol! Se a paixão que eu tenho por futebol adicionada pelo fanatismo do Caiçara foi geneticamente herdada pelo I. acho melhor já comprar uma cadeira cativa para ele (no novo Palestra né?). O Caiçara é bambi, são paulino chato e eu verdão até na segunda divisão; nossos amigos brincam que só para ser deserdado o I. vai ser corinthiano. Puxa,  olha o que os meus queridos amigos desejam para o meu filho... coitado! 

Não pensei demais, não analisei demais... simplesmente fui vivendo o dia como ele aconteceu. Conversamos amenidades (graças a Deus) no telefone, a noite ele foi trabalhar mas mencionou que o casamento desastre da irmã é hoje e ele não vai (não sei não, mas foda-se). Ontem mesmo estava cozinhando batata para o vinagrete que eles vão servir na festa... eca, festa de casamento com batata em conserva é o fim da breguice mesmo. 

E só por hoje, me permiti viver sem muito stress, sem planejar nada, sem esperar nada e a serenidade falou mais alto naturalmente! Um ótimo final de sábado para vocês queridos!