sábado, 2 de novembro de 2013

Ser pacífico não é ser passivo


Ola meus queridos(as)

Uma companheira postou essa frase e fiquei aqui pensando... tão poucas palavras que dizem muito ao mesmo tempo! Enquanto estou arrumando o "jumbo" do Caiçara (a visita é amanhã), desculpem meus queridos, não consigo não ver desta forma... amaciante, sabonete, shampoo, pregador de roupa, pacote de cigarro... Socorro! Enfim, fiquei analisando o significado desta frase.

Ser pacífico não é ser passivo... Quando estamos em paz, não há necessidade de conflito, nem provar estar certo ou errado (se é que isso existe); mas isso não significa que estamos apáticos, inertes, imóveis...passivos. Estar em paz permite que você simplesmente não faça nada, quando não sabe o que fazer! Permite que você escute, deixe o silêncio falar, é um aprendizado pois sempre estamos escutando o barulho, falando sem parar... as vezes o silêncio incomoda! E muito...

Lembro uma viagem que fiz, anos atrás, ao Laos, no sudoeste da Ásia... eu e meu ex-marido, um templo budista lindíssimo (vou ficar devendo o nome) as beiras do Rio Mekong, o vilarejo mais próximo deveria ter uns 500 habitantes. Paz... nem uma alma viva por perto, apenas aquela beleza arquitetônica inserida harmoniosamente na natureza. Sabe quando tempo conseguimos ficar lá? Talvez uma hora no máximo... era paz demais! Sério! Não estamos acostumados com a paz, simples assim! Estamos sempre pensando em alguma coisa, tentando resolver alguma coisa, planejando alguma coisa...nos preocupando com alguma coisa. 

Quando estamos em paz conseguimos fazer nossas escolhas (certas, na maior parte das vezes)! 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O balão esvaziou (um pouquinho)


Ola meus queridos(as)

Ontem percebi o quanto ainda sou intolerante com algumas pessoas, e não consigo sentir compaixão. Pelo contrário, acabo me incomodando ao ponto de ficar olhando no relógio a cada 5 segundos e maquinando desculpas para simplesmente sair correndo. Como toda quarta, lá fui eu para o tal do ambulatório com os familiares, desta vez o Ale não estava, apenas os dois terapeutas (uh..vou ter que arrumar uns nomes para eles também, ela, 18 anos limpa será a Dani e o que eu acho um fofo, Santos (já que ele é de Santos...eu e os caiçaras...deve ser patológico mesmo! Caiçara adicto então, NÃO me apresentem...). A senhora dos outros dias não estava, mas foi bem substituída por outra dez vezes pior! 

Logo quando cheguei a Dani disse que ficou sabendo que eu queria falar com ela, relatei as impressões que tive do Caiçara na ligação uns dias atrás, ela olhou para mim com aquela cara de esfinge e falou, você percebeu tudo isso em 20 minutos de ligação? Bom, 20 minutos de ligação e uns anos de adição nas costas...Eita, a abstinência bateu feito, segundo ela, oscilando muito, abandonou a cozinha (seu xodó), agressividade e se indispôs com alguns outros internos. Estratégia, passar num psiquiatra, fazer uma avaliação e, segundo sua experiência, medicar neste momento. Por mim, o que for necessário, discussão importante como abordar isso com o Caiçara (ele relutou muito no passado a fazer uma consulta num psiquiatra) e primeira intromissão externa da "menina" (que eu nunca tinha visto mais gorda até então, alias socorro, piriquete é pouco para ela). Ignorei, continuamos conversando qual a melhor estratégia, mais outro comentário infeliz da "infeliz"; outros familiares já se constrangendo, encerrei a conversa com a Dani, depois eu te ligo. 

E ai meus queridos, meu ouvido foi feito de penico por quase 2 horas... Resumo da ópera, mãe (do Nar-Anon, graças a Deus alias companheira de serviço, conheço ela de outros "carnavais"), avó e a menina "namorada", internou o filho semana passada. Avó estátua, mãe querendo maiores detalhes práticos da internação e namorada surtando. No intervalo, a mãe e a avó foram embora, ai a coisa ficou feia! Foi tão constrangedor, a Dani e o Santos tentando contornar a situação da melhor forma, mas não deu... só ela falava e falava, até que surpresa, ela é adicta dos pés a cabeça. Parecia que eu estava no NA (não mentira, no NA os companheiros se respeitam e MUITO), ela atropelava mesmo, três/quarto dias na ativa total com ele, era contra ele se internar, relação mega tóxica com direito a ligações no meio da madrugada...Olha, desculpe mas nós, os familiares não estavamos lá para isso. As outras duas pessoas que simplesmente não conseguiram expressar nada, aguentaram bravamente, até que eram quase 10 da noite, me desculpei pois precisava ir embora; rapidamente elas embarcaram também e fomos embora, deixando a Dani e o Santos com a "menina" em surto psicótico! 

Confesso que sai carregadíssima, arrastando meus pés, como se eu pesasse 100 kilos... e me questionando o porque estava me sentindo tão mal? Porque deixei essa situação me afetar tanto? Não sei, nestes últimos dias estava tão transbordando de esperança, fé e amor. Acredito piamente na recuperacão mas ai... presencio esses comportamentos insanos, e meu balão dá uma murchada sabe? 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Troca de fita


Ola meus queridos(as)

Primeira mudança, aceitar que meu filho não é mais um bebê e esta crescendo! Já fazia um bom tempo que sabia das suas excursões noturnas, ele entra e saia do berço ao seu bel prazer... mas minha teimosia em continuar olhando para ele como um bebê, impedia que eu tomasse a decisão e encarar o fato de que o berço não tinha mas razão de existir, cumpriu sua função. E chegou o momento de aposentá-lo, e lá fomos nós comprar sua primeira caminha! E hoje, espero eu, será sua estréia! Minha babá também anda boicotando os bodys e mijões, diz que ele já é um "hominho"... Eita, o bicho esta crescendo, preciso apreender a lidar com isso, ele não é mais um bebê. Estava com a ilusão de segurar ele no berço até uns três anos pelo menos, doce ilusão. Vamos lidar com a realidade, vamos nos modificar a "nova" realidade e respeitar a evolução, que eu não posso controlar (e instintivamente vinha tentando, em vão). Absurdo insano meu, controlar a evolução inevitável (não só do I. mas...) de tudo! 

Segunda mudança, chega de ficar insatisfeita porque moro em Sampa, ou me adapto de uma vez ou coloco em andamento uma estratégia para mudar de cidade. Ficar reclamando não é ação, não impulsiona nada, então que comece por mim! 

E sala... hoje virei tesoureira temporária também (nossa super companheira esta meio impossibilitada de exercer seu cargo, digamos assim, e aqui estou eu fazendo o balanço do mês, contando os centavos para a contribuição da sacola quadrimestral ao ESNAR depois da reunião). Sem problemas, honestamente, essa irmandade é uma rede de segurança... quando caiu do trapézio, o que acontece com frequência, ela esta lá para que eu não me espatife no chão! Quanta gratidão, eu amo nosso grupo! Minúsculo (hoje éramos, contando comigo coordenando, 7 pessoas), mas 7 companheiros(as) maravilhosos,  e fizemos minha troca de fita de um ano (nem todos os grupos fazem mais isso, coisa antiga). É simbólico mas me senti a mulher maravilha com minha fitinha verde clara! É uma tradição meio esquecida, mas da mesma forma que o NA troca suas fichas nós, no Nar-Anon, também temos nossos rituais de troca de fitas... fiquei emocionada, tá bom, confesso, chorei! Nunca tinha visto minha madrinha usar a dela até hoje, dourada...vixiiiiii.... 10 anos! Eles me pegaram de surpresa, teve até bolinho... ai chorei mais um pouco né? 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

0 leite secou


Ola meus queridos(as)

De concreto, tudo tranquilo, o I. já esta mais do que o seu normal, e entenda-se botando fogo na casa (impressionante a recuperação das crianças, três dias atrás internado com um soro no braço e agora, desculpem, tocando o puteiro)! Só tenho que agradecer, por esse filho maravilhoso que tenho (mas que toca o puteiro MESMO)! 

Hoje, sei lá eu porque, fui fazer um micro inventário da minha vida...talvez essas noites sem dormir direito, talvez o final de ano chegando, talvez eu não tão alegre e saltitante. Mas quem é eternamente alegre e saltitante? Só o Papai Noel... momento meio introspectivo, andei pensando no que eu quero mudar, e como mudar. E, desta vez, não tem absolutamente nada haver com o Caiçara. Eu, um pouco insatisfeita comigo... minhas escolhas, que as vezes nem são escolhas, simplesmente você vai indo, levando um dia atrás do outro!  O que eu sei é que não quero mais morar em São Paulo. E sempre fico adiando, e empurrando com a barriga... voltei um tempo atrás e lembrei, puxa, não fazia metade do dinheiro, mas era mais feliz (não que hoje não seja, mas que dilema)! Por um lado, sou eu e Deus (não conto com nada nem ninguém para criar meu filho), por outro ainda sonho com a nossa casinha na beira da praia... eita recaída! Madrinha, não ajudou hoje...pois não tem nada haver com o Nar-Anon neste momento, apenas eu, passando dos 40 anos e minha crise existencial! É isso...simples assim!

Será que dá para ter de volta minha casinha na beira da praia e o trabalho que tenho aqui ao mesmo tempo? Não.... dilemas, vários dilemas! E meu leite secou... do nada, já tinha tomado remédio, depois da consulta com a ginecologista (quase um ano atrás, doando três/quatro vezes por semana no banco de leite) ...e hoje secou! Voltando um pouco atrás, bem atrás... Quando o I. completou um ano de idade, comecei a pensar em desmamar, mas como sempre, ele toma as rédeas e simplesmente do dia para noite, não quis mais peito! Então foi uma transição muito tranquila, para ele e para mim...MAS nunca deixei de produzir leite, até hoje. E hoje, secou... 

Talvez seja o começo de um novo ciclo (sem leite, desculpe o banco de leite e outras crianças que precisem) mas eu não tenho mais para dar! 





Dodói


Ola meus queridos(as)

Final de semana não dos melhores... o I. ficou doente. Fazia uns dias que ele estava vomitando e sem apetite, na sexta só falava "mamãe dodói"e estava super caidinho; liguei para pediatra. Descrevi os sintomas blablabla, até que mencionei o episódio com o Wally, ela simplesmente falou, estou de plantão no PS aqui do HC, estou te esperando AGORA! Sai correndo que nem uma maluca, acho que bati o recorde, nunca cheguei tão rápido em algum lugar. Resumindo, o I. estava com um parasita que pegou do peixe... Olha depois desta, vou pensar duas vezes antes de comer sashimi (que eu adoro)!

Mas entre mortos e feridos salvaram-se todos, e ele já esta 100% ligado no 220, até foi para escolinha hoje. É cada uma que me acontece, viu? Bom, passado o susto, desativei o aquário; espero que ele não faça um escândalo quando chegar da escola e não ver o "peixe"... quem sabe quando ele for um pouco maior, e tiver uma compreensão melhor das coisas a gente re-avalia a idéia. 

Não sei se por causa dessa situação toda, voltei a dormir meio mau esses dias... vou dar um desconto e não tirar nenhuma conclusão precipitada. Nessa correria toda simplesmente esqueci que domingo era o dia da ligação, o pessoal do sítio acabou me ligando pois o Caiçara estava ansioso aguardando meu telefonema até então. Conversamos tranquilamente, optei por não falar nada, o I. já estava bem e porque preocupá-lo né? Na visita, semana que vem, comento com ele o que o filho dele aprontou! Percebi algumas coisas que sinalizaram uma luzinha amarela (não vermelha ainda), ele esta se envolvendo com problemas que não são dele, ele não esta lá para ser terapeuta dos outros internos muito menos para elaborar um novo plano de gestão para a cozinha. Ele esta lá para focar nele! Três meses, se você for pensar bem, é um tempo relativamente curto, e o ideal é que ele utilize esse tempo focando nele e no seu tratamento, não no tratamento dos outros... É sempre mais fácil a gente querer resolver o problema do outro do que os nossos próprios. Também senti ele meio tristinho, bom, esperar que ele estivesse dando pulos de alegria seria muita ingenuidade da minha parte, chegando ai nos 20 dias de internação começa a bater a saudade das coisas que ficaram aqui fora. Mas guardei para mim, esse não é o meu papel, ser sua terapeuta! 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Falando grego


Ola meus queridos(as)

O PS deve estar me testando mesmo... mas acho que me sai, relativamente, bem. Ontem foi o tal do ambulatório para os familiares na ONG que gerencia o sítio e as moradias assistidas. Como combinado previamente com o Ale, eu daria uma palestra explicando o que é o Nar-Anon. Sempre fico feliz em poder ajudar, mas confesso que grande parte do serviço que presto é dentro da irmandade, dificilmente faço um IP por exemplo. Logo estou (mau) acostumada com aquele público "companheiros", que Só por hoje já virou o mesmo que "oi"... Fazendo um parênteses aqui, interessante como cada nicho tem seu vocabulário próprio né? Quando me mudei para baixada e conheci alguns manos caiçaras, não entendia nada do que eles falavam: o bagulho vai ficar louco, a chapa esquentou ou até canta para subir (depois assistindo, acho que foi Tropa de Elite entendi o real significado... são todas expressões comumente utilizadas no tráfico, péssimo). 

Enfim, desligamento com amor, viva e deixe viver, oração da serenidade etc... não faziam parte do vocabulário da maioria das pessoas que ali estavam me escutando. Era como se eu estivesse falando grego, boba eu, como querer que eles entendessem o que é desligamento com amor se eu mesma levei muito tempo (dá-lhe sala) para começar a entender e praticar! Tive que mudar a estratégia. Ao invés de ficar, em vão, explicando o programa, os passos, as tradições resolvi falar de como o programa me ajudou, ajuda na minha recuperação; a importância que o Nar-Anon hoje tem na minha vida, a (pouca) serenidade que conquistei ao longo dessa caminhada e como posso ajudar o dependente químico de uma forma assertiva sem ultrapassar os meus limites. Confesso que me senti um pouco despida falando das minhas experiências pessoais, sai da minha zona de conforto, e foi bom! Não é vergonha, eu simplesmente não falo muito de mim. No final várias pessoas se emocionaram, pois é, fiz uma meia dúzia chorar, vieram falar comigo, que não tinham percebido o quanto doentes eles também estavam, que estavam sofrendo, que não aguentavam mais e blablaba (aquele turbilhão de sentimentos que conhecemos bem, aquele caos emocional). Distribui vários panfletos e endereços de grupos aquela noite!

Mas, nem tudo são flores...lembram da senhora da quarta passada? Pois é, estava lá, mais uma vez sendo inconveniente, me interrompendo a cada 5 segundos, sempre chamando a atenção e falando do filho sem parar... numa ansiedade e desespero gigantes. Cada vez que ela grosseiramente me interrompia, perguntava ao PS como agir, e assim foi até que minha paciência esgotou! Pedi a ela que não me interrompesse mais, teríamos tempo de sobra depois para perguntas, que HOJE a palestra é sobre o Nar-Anon e não sobre o filho adicto dela e muito menos sobre ela e sua carência emocional. Queridos, a mulher ficou vermelha de raiva, tentou abrir a boca para dizer algo até que saiu, meio que um grunido: você não sabe o que eu passo! Respondi, não, talvez o grupo possa ajudá-la a entender o que esta passando...e continue a palestra.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Where's Wally?


Ola meus queridos(as)

Um mistério... Onde está o Wally? O I. ganhou, de dia das crianças, um aquário, e demos o nome de Wally a um dos peixes. Wally era um acará disco, meio alaranjado, com uns 10 cm, muito faceiro; o favorito do meu pequeno, e hoje de manhã ele sumiu! 

O aquário fica no quarto dele (talvez tenha sido um erro deixar o aquário lá, mas é dele...), a algum tempo descobrimos que ele entra e sai do berço a hora que ele quer. Pois é, estava na ilusão de fazer a transição para a caminha só ano que vem MAS, não vai dar para segurar mais. Hoje de manhã, escutei ele acordando, entrei no quarto, ele com aquele sorriso Colgate em pé no berço (acorda super bem humorado, ao contrário da mãe)... Comecei o ritual troca fralda, arruma ele para escola quando reparei que o Wally não estava no aquário! Será que ele pulou para fora do aquário? Tinha uma gigante poça de água perto do aquário, olhei no chão, em baixo dos móveis esperando encontrar o "defunto"e nada! 

Como pode? O peixe simplesmente evaporou? Olhei para o I. e perguntei onde estava o Wally. Apesar dele ter feito dois aninhos, o vocabulário do I. é bem restrito, só ele entende o que ele fala... fomos na fonoaudióloga umas semanas atrás, tudo certo com ele, pessoal da escolinha, tudo certo no seu desenvolvimento, fui na pediatra, tudo certo com ele... talvez o fato de ser bilíngue atrase um pouco  (eu falo muito em inglês com ele, desenho, filme é tudo em inglês aqui em casa), é a teoria da psicóloga. Então quando perguntei Where's Wally, ele simplesmente apontou para barriga dele! 

Queridos, será que meu filho comeu o Wally? Fala sério... que maluquice! Mas é a única explicação racional (a não ser que o Wally tenha sido abduzido por ETs). Fiquei pensando, com meus botões porque o I. comeria o Wally? Fome não é (descartada essa possibilidade, ainda mais com o peixe vivo...eca!). Ele também não tem a compreensão que o Wally morreu, desta vez não liguei para a minha madrinha, mais para a psicóloga infantil. Segundo ela, o I. queria que o Wally morasse dentro dele, fizesse parte dele...uh....Fala sério de novo!

Mas parei para pensar neste comportamento e percebi que muitas vezes fazemos a mesma coisa (claro que não tão literal assim), não saimos por ai como canibais comendo as pessoas que amamos... mas queremos que elas façam parte de nós!