sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Só love


Ola meus queridos(as)

Sabe aquele dia que você simplesmente acorda Nar-Anon ao extremo? Sou eu hoje... só love! Um trilhão de pepinos para resolver, só love... o pessoal da consultoria tendo um treco com uns prazos apertadíssimos, stress... e eu só love! Sabe aqueles dias que o mundo pode desabar na sua cabeça, e só love! Fazia tempo que absolutamente nada, nem o trânsito, nem a conta bancária, nem o I. nem o universo em expansão me desequilibraram... (momento raro, vou aproveitar!).

E venho dividir com vocês como a serenidade me faz bem, a importância de cultivá-la, regá-la todo dia e colher seus frutos. Minha vida é "perfeita"? Longe disso, alias é um caos 90% dos dias, mas amo meu caos, amo minha felicidade, amo estender a mão e segurar a mão que me é estendida, amo ser melhor hoje do que fui ontem... 

Aceito quem eu sou, e quando algo não esta no lugar certo dentro de mim, não tenho medo de mudar, mesmo as vezes sem saber exatamente qual direção tomar, não fico mais parada na encruzilhada olhando os caminhos, escolho um e continuo! Se não for o caminho "certo"descubro lá na frente, volto, escolho outro e assim vamos fazendo a jornada. Claro que a menor distância entre dois pontos é uma reta, mas nossa vida não é uma reta, e sim cheia de curvas, atalhos, desvios. Não vivemos num plano cartesiano, e sim em várias dimensões! 

E deixo à vocês, meus queridos... só love!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Caso ou compro uma bicicleta?


Ola meus queridos(as)

Voltando a rotina, finalmente o I. foi para escolinha hoje e já está 100% no 220 de novo! Ontem estive no ambulatório da ONG para os familiares de DQs, sempre bom demais conversar com o Ale. Ele tem uma visão bem holística da dependência química, uma linguagem bem mesclada do que há em termos de tratamento por ai (o que para mim é muito benéfico, pois percebi que estava muito enraizada nos jargões que usamos nas salas). Passamos um bom tempo discutindo os 13 princípios de tratamento do NIDA (para quem não sabe, National Institute of Drug Abuse), fazendo um paralelo, o "vaticano" em termos de pesquisa e tratamento de dependência química do NIH (National Institute of Heath). Como as coisas são né? Estive no NIH vários ano atrás, quando as drogas não tinham batido a minha porta, colaborar numa pesquisa de hidrodinâmica de fluidos não newtonianos (como o sangue). Não que eu entendesse muito disso (o oceano é um fluido newtoniano, aonde a tensão de cizalhamento é proporcional a deformação... ) mas caiu uma bolsa de pesquisa do céu e eu fui passar um verão em Bethesda, Maryland. Quem se interessar: http://www.drugabuse.gov/publications/principles-drug-addiction-treatment-research-based-guide-third-edition/principles-effective-treatment. Prometo que vou sentar a bunda e traduzir! 

Falamos especificamente do tratamento do Caiçara, um desconforto emocional que precisa ser trabalho, algumas restrições que ele criou no sítio e qual o plano para sua ressocialização social. Terça agora, ele me convidou a acompanhá-lo num encontro na UNIAD (Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas, da UNIFESP) com quem mais, ele mesmo, Dr. Laranjeira! Já fui né queridos! E mais, perguntou se eu não gostaria de fazer um curso de Capacitação em Intervenções Familiares e a Dependência Química ministrado pelo Laranjeira ano que vem (começa em fevereiro, são 4 meses) custeado pela ONG. Balancei total! Objetivos do curso: O objetivo maior do curso é capacitar profissionais para o manejo com famílias que convivem com abuso e dependência de substâncias em contextos múltiplos. Subsídios teóricos sobre, características, dinâmica e funcionamento do sistema familiar, especificidades associadas como vulnerabilidade social e violência doméstica, e modelos de intervenção serão fundamentados por meio de debates e discussões orientadas e pautadas em conceitos cientificamente embasados. 

E ai? Caso ou compro uma bicicleta? Puxa, fico muito feliz com essa oportunidade, mas será que não é abraçar demais? Se eu realmente quiser trabalhar com os familiares dentro da ONG essa bagagem é fundamental, que eu não tenho (apenas a vivência e as coisas que leio por ai). Ajudar a captar fundos, distribuir meia dúzia de cobertores na cracolândia, e panfletar levando a mensagem do Nar-Anon é uma coisa, agora isso é outra proposta! É nestes momentos que sinto imensa falta da minha madrinha (que até agora não mandou nem sinal de fumaça...).






terça-feira, 26 de novembro de 2013

Madrinha também é gente


Ola meus queridos(as)

Confesso estou pasma... o que aconteceu? Não entendi nada! Eu sabia que minha madrinha estava meio recaída e afastada da sala mas depois de hoje, tenho certeza. 

Cheguei um pouco antes, como sempre (quando posso), abro a sala, arrumo tudo e já chega uma companheira nova, convido-a à ajudar com as cadeiras e conversamos brevemente antes de começar a reunião. Espero 5 minutinhos para os companheiros chegarem, bom, não quero atrasar demais, e lá estamos nós no meio da oração da serenidade quando chega minha madrinha (já percebi que não estava serena), pediu para coordenar... eu, meio sem jeito pois já tinha começado falei, tudo bem mas vou precisar de 15 minutinhos para passar algumas informações fresquinhas direto da reunião de área painel do último sábado. Ela ficou sem graça e sentou dizendo tudo bem então. 

Chegam mais três novos, mais uns companheiros dinossauros e a reunião corre tranquilamente. Na hora do café, faço o acolhimento sozinha! Minha madrinha e o resto dos dinossauros conversando na cozinha... Na hora pensei nada mesmo, acolhi da melhor forma possível com amorosidade. Voltamos, momento partilha, faço o ingresso, minha madrinha partilha só barulho (até agora não entendi nada, acho que nem ela), abro mão do meu tempo pois todo mundo estava precisando falar e MUITO! Encerro serena e grata. Como sempre, dou uma carona para minha madrinha. Ela, do nada, começou, você controla tudo na sala, fez o acolhimento sozinha de 4 novas pessoas... ai eu, pera ai companheira, porque você não foi me ajudar? Ela, porque você não pediu... eu, O QUÊ? Querida você tem 10 anos de Nar-Anon, isso é da consciência de cada um, não vou dizer o que cada um dos companheiros tem que fazer. Ela, agora até a tesouraria você pegou, eu pera ai, nossa super companheira tesoureira não estava podendo vir na sala e, através da consciência de grupo (numa reunião que você não estava) ficou decidido que temporariamente eu ficaria com esse encargo até ela voltar. Olha, cada vez piorava, até que ela chegou e disse, se você controla a vida do Caiçara como você controla essa sala, coitado dele... Apenas respondi, na próxima reunião vou colocar meus cargos a disposição; ela, eu sabia que você diria isso... deixei ela na sua casa, sem cervejinha, sem abraço, sem nada... Eita! 

Meia hora depois, já em casa ela me liga pedindo desculpas. A única coisa que consegui dizer, eu já desculpei, amanhã a gente se fala, oração da serenidade, cházinho e cama madrinha. Ainda continuo sem entender nada... se é que tem algo para entender. Confesso, fiquei um pouco triste, mas respeito o momento que ela deve estar passando (que não sei, pois ela não partilha) e, só posso concluir, que sobrou para mim.

Pois é meus queridos, madrinha também é gente! Fiquei sentida, óbvio que sim, afinal de contas, na hora de levantar a mão, é meia dúzia, e por isso todos e digo, quase TODOS os grupos tem carência de servidores, mas sobra companheiros criticando. 



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O quanto ainda preciso caminhar


Ola meus queridos(as)

O mistério do mal estar do Caiçara foi resolvido, ele tomou a medicação errada! O psiquiatra receitou um ansiolitico básico (nada muito tarja preta), e ao invés de tomar este, acabaram se confundindo na moradia e deram um benzodiazepínico (que outro interno toma) por engano. Resultado, o cara ficou literalmente chapado o dia inteiro (acabou até dormindo no sofá). Mais uma para o currículo dele...

Ontem, domingo, ele estava se sentindo bem melhor e fomos almoçar com o I. Olha, como é difícil fazer o I. sentar por uma horinha e almoçar tranquilamente (desta vez levei o kit completo, brinquedo, iPad etc...) em vão. Estávamos perto de casa, joguei a toalha, levei o I. para casa e deixei com minha mãe, claro, depois de colocá-lo para dormir e assim sim, conseguimos almoçar. Quando conseguiremos sair para almoçar civilizadamente, sem ninguém jogar nenhum talher no chão, nem o azeite, nem o saleiro muito menos o sapato? Ou querer comer o guarda-napo? 

Bom, deixei ele no metro, voltei para casa e o I. nada bem... mega gripe, tossindo um monte, saio correndo, vou na farmácia. Voltou, medíco, mama, coloco ele para dormir e ele começa a vomitar. Para tudo, banho, troca a roupa de cama, limpa o quarto... maratona. Começa tudo de novo, já 9 da noite... coloco ele para dormir, ufa, dei certo! Ligo para babá, nada de escolinha para ele, implorei, dá para vir mais cedo? Ligo na moradia só ocupado, uma hora depois, só ocupado... finalmente consigo falar com o Santos três segundo, o Caiçara chegou bem, tudo certo, peço para ele ligar desculpe estou com uma emergência. Tá bom, desliguei, esperei meia hora... chega, vou dormir. Noite de cão, no meio da madrugada comecei a ter febre, o I. acordou umas trinta vezes e quando o dia amanheceu, agradeci ao escutar a babá chegando. Liguei na consultoria, cancelei tudo, tomei um remédio para baixar a febre e capotei até as 11 da manhã! Acordo parecendo que sai de uma balada, grogue. Não consigo comer nada... graças a Deus a babá esta dando conta, o I. está bem melhor (até almoçou um pouco). Começo a me sentir meio mal de novo, 39.2 graus; dá-lhe paracetamol. Quase duas da tarde e lembro, nada do Caiçara! Olhei meu celular, nenhuma ligação perdida. Apenas pensei, que falta de consideração (só isso).

No final da tarde ele liga da moradia, oi tudo bem? Eu, dentro do possível... E lá vem ele com suas desculpas, tentei ligar do orelhão aqui da rua que não funciona (eu, deve ter outros orelhões neste bairro que funcionam), mas estava chovendo (é mesmo?), o telefone aqui da moradia esteve ocupado o dia inteiro e blablabla... no final, confesso que simplesmente falei, olha essa conversa não esta indo para lugar nenhum, depois a gente se fala tchau.

O I. doentinho, eu doente, depois de uma noite péssima tendo que escutar blablabla não deu certo, meu lado codependente queria gritar, que se fosse para achar uma biqueira ele ia embaixo até de um dilúvio mas procurar um orelhão para me ligar não. Claro que não falei nada disso, hoje sei um pouco mais, porém confesso que lá no fundinho pensei sim.

E vejo, mais uma vez, o quanto ainda preciso caminhar! O quanto ainda guardo alguns ressentimentos.


sábado, 23 de novembro de 2013

Falei!


Ola meus queridos(as)

Sábado cheio, reunião de área painel, gratidão demais e OBA!!!!!!!! Vou ter a oportunidade de ajudar a estruturar uma sala nossa em Peruíbe, meu sonho, sempre foi.... PS, irmandade, sem palavras para agradecer! Agora nas férias terei tempo, unir o útil ao agradável, tomar sol e cerveja na praia e estruturar  o grupo, quer mais do que isso? Para mim tá bom demais! O litoral sul de SP é muito carente, extremamente carente... e os familiares que sofrem com a dependência química precisam desta porta aberta. Além de que, temos no mínimo uns 10 CTs na redondeza (não recomendo nenhum). Independente, o que me faz sair de casa num sábado de manhã chuvoso deixando meu pequeno com minha mãe? Essa irmandade chamada Nar-Anon, vocês, meu amor e carinho por todos, minha boa vontade em servir e ser hoje, alguém melhor do que fui ontem! E faço por mim, de coração... 

Ele deveria ter voltado hoje para o sítio, mas teve uma queda de pressão meio do nada, não está se sentindo bem. Conversei com ele um pouco a tarde, virose, ansiedade, sei lá eu o quê? Bom, nada que necessite sair correndo para o hospital, mas a equipe terapéutica achou melhor ele ficar até terça, e voltar com eles para o sítio. Não estou preocupada, mas engraçado como as coisas são... acho que talvez ele fique menos tempo do que o programado (pelo discurso dos terapeutas) no sítio, e super concordo, o problema é aqui fora! De uma forma ou de outra o Caiçara sempre consegue o que quer, ontem mesmo quando saímos para almoçar ele disse que gostaria de ficar até terça... conseguiu! Eita! Olha, o PS dá de graça para ele mesmo! 

Eu, confesso que fico um pouco "balançada" sabendo que ele esta tão perto, não que eu não possa ir vê-lo (nada coibido), mas melhor cada um ficar no seu cantinho. Se ele estiver mais disposto amanhã, até podemos combinar algo.... 

Tá, não quero me acostumar com ele perto de novo... Falei! Não quero me acostumar em almoçar com ele em plena sexta feira, não quero me acostumar com ele me abraçando numa quinta feira nublada no motel, não quero me acostumar com ele me encontrando no metro em plena quarta feira só para me dar um beijo... Não quero me acostumar com sua presença novamente. Falei!

Eita! Um lado meu diz vai mulher e o outro grita não viaja de bonde! Barulho, muito barulho neste momento, mas ficarei em silêncio para escutar.... Amar é uma meleca! (e não tem nada haver com dependência química ou codependência agora, apenas eu amando ele...como sempre amei)!






Viver em recuperação e limpo NÃO é difícil....


Ola meus queridos(as)

"Roubei" esse texto de um companheiro querido, espero que seja de ajuda a todos nós:
Direitos autorais Jenner

Queridos familiares...

Por favor parem de achar que a adicção é uma "doença difícil", é 
doença crônica como outra qualquer, parem de achar seus familiares 
adictos coitados, eles não são!

Viver em recuperação e limpo não é dificil, difícil é usar drogas uma
noite inteira e ter que voltar pra casa e encarar os olhares de
desaprovação e saber que se deixou pessoas tristes com sua atitude.

Viver em recuperação e limpo não é difícil, difícil é ter pessoas
controlando sua vida 24hs por dia, difícil é perder a confiança em
sí mesmo e ter que reconquistá-la.
Viver em recuperação não é difícil, difícil é caçar bitucas de cigarro
na sarjeta para fumar uma pedra.

Viver em recuperação não é difícil, difícil é vender as coisas de
dentro de casa e ver o saldo negativo no banco por conta do próprio
uso de drogas.

Viver em recuperação e limpo não é difícil, difícil é ser maltratado
pelo traficante e usar drogas num cubículo de 1mt por 1mt, cheio de
pessoas insanas e que fariam qualquer coisa por mais um trago.

Viver em recuperação e limpo não é difícil, difícil é conviver com
co-dependentes criando situações e cobranças insanas.

Viver em recuperação e limpo não é difícil, difícil é conseguir ir
trabalhar depois de uma noite exaustiva de uso de drogas.

Parem de ter dó... o Dependente Químico não precisa da sua dó, precisa
que você o respeite e para isso ele precisa conquistar seu respeito,
para se conquistar respeito, primeiro é preciso ser uma "pessoa de respeito".

O familiar pode ajudar, quando a insanidade do uso chega ao ponto do
suicídio adictivo, internando ou pedindo ajuda médica, mas querer praticar
na recuperação do outro é INVASÃO!

Parem te tentar modificar o outro, foi tentando ser outra pessoa que o
dependente químico muitas vezes se afundou nas drogas!

O dependente químico, precisa aprender a ser tratado como adulto que ele é,
a maioria aqui tem familiares com mais de 20 anos, e isso já os torna
adultos perante a lei e a psicologia.

O dependente químico, pode sim ir as reuniões com suas próprias pernas,
pode sim ir trabalhar, pode sim ter uma vida social e amorosa, ele como
ser -humano tem esses direitos garantidos por nossa constituição.

Parem de achar que as pessoas em torno dele o farão recair ou entrar em
recuperação, as pessoas ao nosso redor podem influenciar, mas a decisão de
continuarmos num determinado circulo de pessoas é nossa!

O dependente químico só voltará a usar drogas se ele quiser... Isso é um
fato, e nada que vc criar para se convencer do contrário mudará isso.

RECUPERAÇÃO É PARA QUEM QUER E NÃO PARA QUEM PRECISA!!!!

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ficar devendo


Ola meus queridos(as)

Simplesmente me permiti tirar o plug da tomada por algumas horas, sumi (bom, babá avisada, trabalho avisado)... Esqueci que o mundo existia por algumas horas e me mudei para outro lugar aonde existe jacuzzi, roupão, chinelo e serviço de "quarto". Quem vai em plena quinta feira a tarde para o motel? EU!

Não vou elaborar mais que isso, mas apenas sugiro que, vocês meus queridos chutem o balde de vez enquando, quanto mais eu me desprendo das minhas amarras, quando mais me liberto mais graça a vida tem! Quanto mais eu me conheço, e me aceito mas serena eu sou com minhas escolhas...  Claro que nem todos os dias são ensolarados (os nublados são importantes também, para o equíbrio) mas só por hoje, muito sol, muita luz, muito amor na previsão do tempo! 

E se amanhã amanhecer nublado, faz parte da vida! 

P.S: Amanhã escrevo um post mais elaborado, confesso, estou exausta (que bom) e vou ficar devendo!