Ola meus queridos(as)
Vivi uma situação, no mínimo, constrangedora; daquelas que você só vê na periferia ou na novela (olha o preconceito meu, MAS não estou habituada a vivenciar isso por aqui). Fiquei totalmente sem opção, principalmente quando ele começou a literalmente esmurrar a porta do meu apartamento, passando de qualquer limite aceitável... Obrigada eficiente polícia de São Paulo, eles chegaram rapidinho, e quando o Caiçara percebeu mais uma vez que eu não estou brincando, saiu por livre e espontânea vontade do prédio (ou ia escoltado mesmo). Péssimo... ainda bem que o I. estava no décimo sono e não presenciou essa cena lastimável.
Dormiu na rua, deu uma de louco, pediu demissão do trabalho, vou embora para Peruíbe, mudou de idéia MAS já era tarde... Óbvio que o chefe não quis nem saber, honestamente, se eu fosse ele faria a mesma coisa, como manter uma pessoa totalmente instável assim como empregado? E o melhor da estória, agora a culpa é minha pois eu coloquei ele para fora e chamei a polícia! Será que não fiz isso devido ao seu comportamento descontrolado e abusivo? Não, claro que não... a culpa é minha, do mundo MAS nunca dele. Eu gosto de colocar as pessoas para fora da minha casa e chamar a polícia por esporte mesmo, é bem bacana! Adoro um barraco, sabe? Me poupe, né?
Quando o indivíduo vai se responsabilizar pelos seus atos e comportamentos?!!! Do jeito que a banda toca, nunca... Ele só ligou um bilhão de vezes no dia seguinte (devida ter escutado o conselho da super babá que falou que ele iria infernizar até conseguir e o melhor que eu podia fazer era sair de Sampa por uns dias), até que acabei cedendo (MERDA), no fundo fiquei com pena, é bem isso, pena... E voltei lá atrás na minha programação (mais uma MERDA), regredi e deixei ele voltar por uns dias até achar um lugar para ficar ou voltar para praia MAS enfim, aqui você não fica mais.
São nessas situações que me questiono, o quanto faço algo que não queria (pois eu NÃO queria recebê-lo aqui de volta depois disso) porque minha codependência ainda esta dormente e surge nestes momentos, ou genuinamente é aquele amor ao próximo e não deixar o cara na rua sem eira nem beira, sempre justificando que ele é o pai do meu filho? Difícil a distinção... Talvez seja os dois meio misturados, mas de uma coisa eu tenho certeza, se ele NÃO fosse o pai do I. eu já teria mandado ele catar coquinho no asfalto.
Puxa, como é esclarecedor colocar as idéias no papel (ou no blog); acabei de explicar a mim mesma o que ainda me mantêm junta à ele, o fato dele ser pai do I. e eu querer muito que ele tenha um pai... Maluco, mas faz todo o sentido do mundo! E porque eu quero muito que o I. tenha um pai a qualquer custo (talvez porque eu tenho um MARAVILHOSO, e todo mundo deveria ter um igual)? Uh... talvez no fundo eu me sinta culpada por ter escolhido tão errado... Meu pai mesmo, na época sugeriu, de uma forma extremamente racional, que "comprar" um esperma num banco seria melhor se eu quisesse um filho... Pode parecer cruel MAS certamente hoje, as coisas estariam mais tranquilas e decididas.
E ai me pergunto, ele realmente é um pai para o I.? Bom, não conto com ele financeiramente para NADA, ou seja, se depender dele meu filho não tem nem roupa para vestir, ou seja, no papel de pai provedor, ele esta reprovado. No papel de pai cuidador, aquele que dá banho, comida, leva na escola, tenho que ser justa, e sim, ele esta aprovado (mas a estrutura já esta montada, então é mais simples dar banho sendo que a toalha esta la, o shampoo, a água, levar na escola porque ela já esta paga também etc...). O papel de pai educador.... tenho minhas dúvidas ai, ele é muito inconsistente nas suas posturas (as vezes pode, as vezes não pode e isso confunde muito a cabecinha de uma criança), as vezes é rígido quando não precisa (alias ele esta proibido de levar a mão para ele, ninguém bate no meu filho), não sabe conversar quando necessário mas é carinho com ele, não posso negar. Estou apenas dissecando algumas facetas do que é ser pai, claro que nenhum pai é perfeito (tirando o meu...) da mesma forma que também não sou uma mãe perfeita... Apenas pontuando algumas coisas importantes do universo paternal que possam me ajudar a entender melhor.
Mas acho que a pergunta é, mesmo que ele fosse um pai maravilhoso para o I. seria isso o suficiente para continuarmos juntos? Meio óbvio meus queridos... até quando eu vou continuar tirando baldes e baldes de água desse barco fadado ao naufrágio (e o pior, esse barco nem é meu)?