quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Desfecho


Ola meus queridos(as)

Estou me sentindo mais segura e tranquila, não precisei chamar a polícia e mais uma vez o santo J. subiu a serra para resgatar o Caiçara, e para lá ele voltou (ou seja, posso entrar e sair da minha casa sem me preocupar)... O que posso dizer? Boa viagem. Mas confesso que fiquei com medo, pela primeira vez, que ele realmente fizesse algo contra mim ou o I. (até liguei da escola e retirei o nome dele da lista de pessoas autorizadas a pegar o I. depois da aula). É quase como se fosse um terrorismo, alias não deixa de ser um terrorismo psicológico.

Claro que ele ligou, atendi uma única vez e fui clara, ME ESQUECE! Quando ele começou, me traiu na cara larga e blablabla simplesmente desliguei. Eu não tenho que dar satisfação da minha vida para você, nem ninguém! E assim um enorme peso se levanta das minhas costas, pois hoje eu sei o quanto o carreguei... Também sei que em algum momento teremos que conversar, afinal de contas temos um filho juntos, mas não agora, nem amanhã... algum dia.

Hoje foi dia de faxina, literal e metafórica; a babá/pau para toda obra chegou desmontando a casa bem cedo, eu inspirada, resolvi fazer uma faxina interior; tirei o pó de alguns sonhos esquecidos, abri algumas gavetas que estavam fechadas a anos, joguei algumas caixas pesadas e cheias de sentimentos inúteis fora... e estou pronta para recomeçar!

O que posso dizer à vocês meus queridos? Que acabou, de uma forma, no mínimo desagradável, pouco amigável MAS acabou. Não existem contos de fada, menos ainda quando a droga esta presente. Óbvio que esperamos que as coisas se resolvam e tenham um final feliz, ou que pelo menos elas acabam de uma forma civilizada... dificilmente é o caso. Se você esta passando pelo que eu passei, confesso, não tenho nenhum gigante conselho ou palavras de sabedoria; vocês que acompanham as melecas que escrevo e vivi nesta caminhada, sabem o que é preciso fazer para tomar as rédeas das suas vidas de volta, eu sempre soube, MAS aquela esperança, aquela mais uma chance... acabava nos fazendo refém de um amor que adoeceu faz tempo. Cada um tem sua estória e essa é a minha!

Continuarei por aqui, afinal de contas esse cantinho é nosso, é aonde posso colocar o que sinto e penso de uma forma mais organizada e objetiva; e espero poder continuar contribuindo para dias melhores a todos, com meus acertos, meus erros e minhas estórias!

Amo todos vocês, de coração!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Carta de alforria


Ola meus queridos(as)

Ele sempre (re)entra minha vida nos momentos mais críticos, quase como divisores de água... (não que em algum momento ele tenha saído da minha vida, somos como o ciclo lunar; a Lua orbita ao redor da Terra, em alguns períodos a Lua se afasta, em outros se aproxima da Terra mas sempre unidos pela Lei Gravitacional). Quem é a Lua e a Terra nesta dança cósmica eu já não sei, acho que invertemos os papéis de tempos em tempos. 

Mais uma vez na minha vida, consigo colocar um ponto final em algo que se estendia (apesar da decisão já ter sido tomada) simplesmente com a sua presença, sem muitas explicações ou palavras. Quase como se ele fosse a última peça do quebra-cabeça que faltava, fortalecendo sua decisão e encorajando sua alma a seguir em frente; assegurando que tudo vai ficar bem. 

Quando me divorciei do meu primeiro marido, foi assim; quando me divorciei do meu segundo marido, foi assim.... e agora o "divórcio" do Caiçara (pelo menos essa insanidade eu não cometi, nunca nos casamos). Ele não é, nem nunca foi a causa de nenhum dos divórcios, simplesmente a "gota" de água que faltava para colocar a decisão em ação, aquele empurrão necessário para movimentar as peças do jogo, a rajada de vento que faltava para a pipa (já pronta) voar, aquele abraço que faltava...

Quando ele chegou (deixei a porta aberta) e escutei sua voz me chamando, eu sabia que não haveria volta, quando ele bateu na porta do banheiro enquanto eu tomava banho, eu sabia que não haveria volta; quando ele me beijou gentilmente e me abraçou como um polvo, eu sabia que não haveria volta; quando ele olhou para dentro de mim e sorriu, eu sabia que não haveria volta; quando ele sentou na mesa do jantar e perguntou como foi meu dia como se fossemos um velho casal, eu sabia que não haveria volta; quando ele me segurou pela cintura e disse que o tempo só me deixa mais bonita (eu já de pijama e descabelada), eu sabia que não haveria volta; quando ele cuidadosamente abriu a porta do quarto do I. para espiar ele dormindo, eu sabia que não haveria volta; quando simplesmente chutei o balde, e me entreguei à ele de corpo e alma madrugada adentro, eu sabia que não haveria volta... quando acordei de manhã em seus braços de urso, eu sabia que já não havia volta... Quando caminhamos juntos essa manhã levando o I. para a escolinha (mesmo ele correndo o risco de perder seu vôo, mas fez questão de nos acompanhar), mãos dadas nós três atravessando a rua, o ar mais doce, risadas, o friozinho aconchegante, abraços, o café quentinho, a intimidade e carinho de décadas (ou séculos)... finalmente eu soube, eu estou alforriada! 

Não sou mais escrava dessa doença... não sou mais refém dele, mas precisei que esse meteorologista doutor em tempestades severas (é o título dele mesmo), me mostra-se a calmaria... e a liberdade de simplesmente SER feliz nas pequenas e tão importantes coisas da vida!

P.S: A palavra "alforria" tem origem no árabe al-furriâ, que significa "liberdade".

P.S.S: Alguns de vocês devem estar se perguntando se eu o amo...eu o amei, o amo, e sempre amarei (ele é aquele espírito que reincarna comigo à décadas...). E vice-versa, mas se ficaremos juntos são outros 500... Alias, isso é irrelevante, pois sempre estivemos juntos e sempre estaremos pela eternidade! 

FUI!!!!!!


Ola meus queridos(as)

E como previsto pelo oráculo, em menos de 24 horas... a famosa caixa postal! Quando você acha que já viu tudo... recaída the flash, deveria entrar no Guinness, o livro dos records, como a recaída mais rápida da estória. 

Na verdade eu acabei ligando apenas para avisá-lo de uma entrevista de trabalho (provavelmente ele deixou meu número como contato), nada mais. Enfim, minha teoria do ciclo esta devidamente comprovada. Porém, não tenho tempo para ficar elucubrando em que buraco ele se meteu desta vez...

Recebi uma visita (relâmpago, infelizmente) de alguém muito especial que me fez lembrar como é bom ser cuidada com carinho, ser tratada com respeito; apenas aproveitar a companhia um do outro, uma noite tranquila, um jantar gostoso... sem dramas. Estou chegando a conclusão, puramente baseada nas minhas experiências, que é impossível ter um relacionamento saudável e "normal" com um dependente químico. Sei que temos exemplos de relacionamentos estáveis com DQ em recuperação e blablabla... Mas queridas, honestamente, eu não conto mais com isso.

Enquando ele se fode fumando pedra, eu fodo gostoso (acho que essa é minha carta de alforria, elaboro melhor depois)!!!! FUI!!!!!!!!

P.S: Atualizando, claro que apareceu a margarida. Pedindo ajuda e blablabla... escutou um sonoro NÃO! E no presente momento encontra-se acampado na porta do meu prédio (claro que avise lá em baixo que ninguém sobe). Assédio total, insanidade max plus advanced (como diz a Kel). Como já sou cliente da PM de São Paulo, talvez dê uma ligadinha para meus novos amigos da lei.

Brincadeiras a parte, o que quero colocar a vocês, não subestimem um pessoa desesperada sob o efeito de drogas, CUIDADO, muita cautela e NUNCA meus queridos, NUNCA se coloquem em situação de risco. Parece coisa meio de filme hollywoodiano paranóico, até ele literalmente esmurrar a porta do meu apartamento e agora estar fazendo tocaia na entrada do meu prédio, também achava que era coisa de novela.

Mas nada vai estragar meu bom humor, acordar do lado de alguém que vê e prevê o melhor em tudo!!! Previsão do tempo: céu ensolarado. Status civil: solteira. Objetivo: paz. Comida favorita: phad thai. Cor: azul. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Um café pode mudar tudo


Ola meus queridos(as)

Foi no mínimo complicado, mas chegou a segunda feira... e o momento dele ir. Claro que ele fez todas as caras e bocas da face da terra, tentando me fazer me sentir mal, no fundo comecei a me sentir mal, como se ele estivesse me constrangendo com a sua tristeza (não sei o que é pior). Tivemos uma última conversa, fui categórica, nos vemos no final de semana; e assim ele foi.

No meio da tarde estava meio pensativa, e que surpresa! Meu pai, o indivíduo mais ocupado da face da terra (talvez mais que o Obama, sério!) me liga, onde você está? Em casa pai, acabei de chegar. Então desce, estou na porta da sua casa, vamos tomar um café na esquina (não que eu não goste do seu café mas é a pressa mesmo, disse ele muito gentilmente). Meia hora com meu pai vale mais que uma eternidade com outras pessoas, apenas a sua presença, seu carinho, sua sabedoria foi suficiente para me encher de vontade, de energia, de coragem para lutar e viver mais um pouco, mais um muito!   Acabar com a minha tristeza momentânea, me trazer de volta para o que realmente importa, e iluminar meu dia, até então, cinzento. Quando conversarmos, é tudo tão simples, tão leve... viver fica fácil do lado dele (e não é porque SUA vida seja fácil, mas ele simplesmente não complica; nunca me esqueço do seu maior ensinamento: existem dois tipos de problema, o que você pode resolver e o que você não pode, o que você não pode resolver deixa de ser um problema). 

A casa ficou mais vazia, mais tranquila, menos bagunçada, menos caótica; e voltamos a ser eu e o I.. Eu gosto assim, desculpem as pessoas que não conseguem morar sozinhas, eu vivo muito bem assim (e depois que o I. nasceu eu nunca mais estarei sozinha, nem que eu queira!). Dividir sua vida com alguém requer dedicação, renúncia, confiança; é como dançar tango, o par precisa dedicar horas e horas treinando, senão cada um vai para um lado, descompassado e pisa no pé do outro. E, ao invés de ser um balé, vira uma luta livre.

Eu não estou disposta a viver com ninguém neste momento, pode parecer solitário MAS não é solidão. Precisamos apreender a viver com nós mesmos primeiro antes de vivermos com os outros. 

Ultimato


Ola meus queridos(as)

Estendi minha hospitalidade ao limite, dei um ultimato, pode ficar o final de semana mas segunda quero começar minha semana sem a sua presença aqui. Primeira reação sua (o injustiçado), irritado gritou que se eu quisesse ele iria embora hoje, agora, já. Se você gritar mais uma vez é exatamente isso que vai acontecer! Segunda reação (a vítima), mas eu não tenho para onde ir, fiquei sem emprego e blablabla... problema seu, eu não tenho nada com isso, se vira (pensei comigo, você faz as suas merdas e sobra para mim), você tem até segunda. Terceira reação (caiu a ficha), mexeu sua bunda e ligou para a pensão onde morou anteriormente e conseguiu uma vaga e se muda segunda.

Pombas, tudo isso é um desgaste tremendo para mim, literalmente ter que confrontar desta forma. Acho que um grande problema meu é sempre contar com o bom senso alheio, que nem todo mundo tem. Sabe aquele convidado inconveniente que fica até você indelicadamente mandá-lo ir embora pois a festa já acabou e todo mundo (menos ele) foi embora? Esse é o Caiçara. Eu odeio dar uma de "louca", mas ultimamente a única forma que ele escuta é quando coloco as coisas de uma forma "desagradável"... Se dependesse dele, ele continuaria morando aqui à de eterno!

Acredito que essa minha atual irritação esteja relacionada com tudo isso também, quando entrei no banheiro outro dia e a tampa do vaso sanitário estava levantada quase o joguei pela janela! Quando cheguei em casa e a terceira guerra mundial tinha estourado na minha cozinha, fiquei com vontade de mandar ele lavar a louça com a língua (só não mandei porque o kibe de forno que ele fez para o jantar estava divino)! Quando fui tomar banho e minha toalha estava molhada porque ele usou antes, minha vontade era de enforcá-lo no chuveiro! Quando vejo ele esparramado no meu sofá tomando cerveja, minha vontade é de afogá-lo na pia! Quando ele reclamou que a empregada deixou os panos de chão de molho na máquina de lavar e manchou sua bermuda, minha vontade era estrangulá-lo com minhas próprias mãos! Bom, colocando desta forma, esta mais do que claro o quanto tudo isso esta me irritando, essa invasão de espaço esta realmente me tirando do sério, beirando a um homicídio! No fundo fazem semanas, meses que eu espero que ele tome a iniciativa, respeite minha decisão, e se mude... Poderia ser uma transição tranquila, mas com ele NADA nunca é tranquilo...

Porque me permito ser refém na minha própria casa? Chega de achar que estou ajudando, pois estou me prejudicando. Lembrando um dos jargões: Eu primeiro, eu segundo e na dúvida, eu terceiro! Talvez eu esteja precisando dar uma lapidada na programação e voltar para o grupo...

E assim reconquisto meu território, reivindico meu lar novamente e minha paz... (e espero não matá-lo até segunda feira). 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ovo virado e frito


Ola meus queridos(as)

Sabe quando você acorda de ovo virado? Do lado errado da cama? De saco cheio de tudo e todos? Ai você para e pensa, bom, deve ser a boa e velha TPM chegando... mas lembra que menstruou semana passada (logo não pode ser). Calma, vamos racionalizar, nenhuma catástrofe aconteceu, seu filho esta bem e feliz na nova escolinha (até voltou a comer bem, e por BEM digo até chuchu com abobrinha e moela), você conseguiu uma consultoria que vai pagar um bom dinheiro (o que neste momento de crise é muito bem vindo), os dias estão ensolarados (mais muito secos... não dá para ter tudo, né?); ou seja, nada fora da rotina. 

Mas uma gigante irritação toma conta de você, uma insatisfação oceânica, e ao invés de assassinar alguém você prefere hibernar na sua cama?!!! Uns meses atrás procurei minha ginecologista, fizemos uma batelada de exames pois suspeitei que estava chegando na menopausa (um pouco cedo para isso, mas queria descartar essa possibilidade), não é hormonal. Que pena, se fosse, seria mais fácil de resolver... É a cabeça mesmo... Outro dia vi a Bibi Ferreira, com seus 95 anos, estreando um novo show aonde canta Frank Sinatra e fiquei, no mínimo impressionada. Numa entrevista ela disse que tem uma ótima saúde e que sua cabeça é simples, ela não fica minhocando muito e faz o que tem que fazer e ponto final. Uh... simples. Talvez seja a chave, a simplicidade do "ser". Mas como ser simples nesta complexidade neural? Estamos sempre, independentemente de quando ou como, pensando em alguma coisa, parece que não conseguimos desligar da tomada (ou eu pelo menos).

E olha que não sou uma pessoa inquieta ou agitada, os que me conhecem até brincam com minha "falta" de pressa para nada, tudo é para amanhã, ou semana que vêm (ai entra minha procrastinação clássica, mas faz parte de quem eu sou mesmo; resolver eu resolvo, se não precisa ser hoje... então amanhã é um bom dia também!). Pequeno exemplo, tivemos o tal plantão dos uniformes na nova escolinha do I., três dias em horários diferentes para acomodar todos os pais, não fui no primeiro dia, ah...deixa para amanhã, puxa mas o horário é ruim, vou no último dia quando descubro que posso comprar tudo pela internet e eles entregam na escola mesmo, pronto resolvido e nem precisei ir até lá! Eu sei, nem todo mundo vai entender esse "jeito" de ser... mas o resultado final, temos os uniformes comprados, pronto resolvido.

Porém essa postura externa tranquila nem sempre esta em sintonia com o interior, que borbulha, ferve e as vezes acaba até fritando o ovo virado, e ai, sai da frente! Hoje sobrou para Deus e todo mundo (menos o I., ele tem uma arma poderosa que me desarma, seu sincero sorriso e bilhões de beijos de "bebê" gatinho....miau.......). 

domingo, 16 de agosto de 2015

Naufrágio


Ola meus queridos(as)

Vivi uma situação, no mínimo, constrangedora; daquelas que você só vê na periferia ou na novela (olha o preconceito meu, MAS não estou habituada a vivenciar isso por aqui). Fiquei totalmente sem opção, principalmente quando ele começou a literalmente esmurrar a porta do meu apartamento, passando de qualquer limite aceitável... Obrigada eficiente polícia de São Paulo, eles chegaram rapidinho, e quando o Caiçara percebeu mais uma vez que eu não estou brincando, saiu por livre e espontânea vontade do prédio (ou ia escoltado mesmo). Péssimo... ainda bem que o I. estava no décimo sono e não presenciou essa cena lastimável.

Dormiu na rua, deu uma de louco, pediu demissão do trabalho, vou embora para Peruíbe, mudou de idéia MAS já era tarde... Óbvio que o chefe não quis nem saber, honestamente, se eu fosse ele faria a mesma coisa, como manter uma pessoa totalmente instável assim como empregado? E o melhor da estória, agora a culpa é minha pois eu coloquei ele para fora e chamei a polícia! Será que não fiz isso devido ao seu comportamento descontrolado e abusivo? Não, claro que não... a culpa é minha, do mundo MAS nunca dele. Eu gosto de colocar as pessoas para fora da minha casa e chamar a polícia por esporte mesmo, é bem bacana! Adoro um barraco, sabe? Me poupe, né?

Quando o indivíduo vai se responsabilizar pelos seus atos e comportamentos?!!! Do jeito que a banda toca, nunca...  Ele só ligou um bilhão de vezes no dia seguinte (devida ter escutado o conselho da super babá que falou que ele iria infernizar até conseguir e o melhor que eu podia fazer era sair de Sampa por uns dias), até que acabei cedendo (MERDA), no fundo fiquei com pena, é bem isso, pena... E voltei lá atrás na minha programação  (mais uma MERDA), regredi e deixei ele voltar por uns dias até achar um lugar para ficar ou voltar para praia MAS enfim, aqui você não fica mais. 

São nessas situações que me questiono, o quanto faço algo que não queria (pois eu NÃO queria recebê-lo aqui de volta depois disso) porque minha codependência ainda esta dormente e surge nestes momentos, ou genuinamente é aquele amor ao próximo e não deixar o cara na rua sem eira nem beira, sempre justificando que ele é o pai do meu filho? Difícil a distinção... Talvez seja os dois meio misturados, mas de uma coisa eu tenho certeza, se ele NÃO fosse o pai do I. eu já teria mandado ele catar coquinho no asfalto. 

Puxa, como é esclarecedor colocar as idéias no papel (ou no blog); acabei de explicar a mim mesma o que ainda me mantêm junta à ele, o fato dele ser pai do I. e eu querer muito que ele tenha um pai... Maluco, mas faz todo o sentido do mundo! E porque eu quero muito que o I. tenha um pai a qualquer custo (talvez porque eu tenho um MARAVILHOSO, e todo mundo deveria ter um igual)? Uh... talvez no fundo eu me sinta culpada por ter escolhido tão errado... Meu pai mesmo, na época sugeriu, de uma forma extremamente racional, que "comprar" um esperma num banco seria melhor se eu quisesse um filho... Pode parecer cruel MAS certamente hoje, as coisas estariam mais tranquilas e decididas. 

E ai me pergunto, ele realmente é um pai para o I.? Bom, não conto com ele financeiramente para NADA, ou seja, se depender dele meu filho não tem nem roupa para vestir, ou seja, no papel de pai provedor, ele esta reprovado. No papel de pai cuidador, aquele que dá banho, comida, leva na escola, tenho que ser justa, e sim, ele esta aprovado (mas a estrutura já esta montada, então é mais simples dar banho sendo que a toalha esta la, o shampoo, a água, levar na escola porque ela já esta paga também etc...). O papel de pai educador.... tenho minhas dúvidas ai, ele é muito inconsistente nas suas posturas (as vezes pode, as vezes não pode e isso confunde muito a cabecinha de uma criança), as vezes é rígido quando não precisa (alias ele esta proibido de levar a mão para ele, ninguém bate no meu filho), não sabe conversar quando necessário mas é carinho com ele, não posso negar. Estou apenas dissecando algumas facetas do que é ser pai, claro que nenhum pai é perfeito (tirando o meu...) da mesma forma que também não sou uma mãe perfeita... Apenas pontuando algumas coisas importantes do universo paternal que possam me ajudar a entender melhor.

Mas acho que a pergunta é, mesmo que ele fosse um pai maravilhoso para o I. seria isso o suficiente para continuarmos juntos? Meio óbvio meus queridos... até quando eu vou continuar tirando baldes e baldes de água desse barco fadado ao naufrágio (e o pior, esse barco nem é meu)?