segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nasce uma mãe


Ola meus queridos(as)

Fazem quatro anos que nasceu uma mãe dentro de mim, há exatamente 4 anos eu subia a serra com um barrigão de 38 semanas achando que ainda teria uns dias para terminar de resolver as últimas coisinhas para sua chegada, quando no meio da Imigrantes comecei a achar que o que estava sentindo não eram apenas gases (pois é queridos, mulher grávida peita e MUITO). Existem várias coisas, não tão fofas sobre gestação que ninguém conta, essa é uma delas, além de você fazer xixi em qualquer lugar a qualquer hora (inclusive nas calças mesmo)!

Quando chegamos na Av. Paulista não teve mais como me convencer do contrário, estava em trabalho de parto! E o Caiçara dando risada que nós seríamos notícia no Datena: Mulher dá a luz em plena Avenida Paulista presa no trânsito. Consegui chegar na casa da minha mãe aos trancos e barrancos (claro que EU estava dirigindo), liga para Deus e todo mundo, entre uma contração e outra levo um sermão da minha obstetra, eu falei para você subir para São Paulo duas semanas atrás e blablabla, corre pro hospital, estou avisando eles que você esta chegando e vou sair correndo para lá (ela estava do outro lado da cidade, isso era 6 da tarde)! Minha mãe assume a direção do carro e sai que nem uma louca, moramos na Vila Madalena e o hospital São Luis é em Santo Amaro, para quem conhece SP não é longe MAS as 6 da tarde qualquer coisa é longe, até a padaria da esquina... Calma, vamos contar o tempo entre as contrações, 1, 2, 3, 4, 5 aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Fiz xixi de novo, NÃO sua anta, sua bolsa rompeu. Calma, o hospital é duas quadras daqui.

Ufa, chegamos, me colocam numa cadeira de rodas, sai um monte de enfermeiros lá de dentro, me levam para a triagem, e assim que vi a cara de espanto de uma delas quando fazia o toque, ela gritou "sobe agora, 8 de dilatação, está NASCEEEEEENNNNNNNNNNDO" percebi que era sério, e não iria durar muito. Foi tudo muito rápido, minha médica chegou no último segundo, literalmente a tempo de pegá-lo saindo de dentro de mim, e como tinha tomado uma epidural, os momentos finais foram sem nenhuma dor. E enquanto eu discutia com o anestesista quais eram os melhores restaurantes japoneses em Sampa, escutei ele chorar. Nasceu! Parabéns mamãe, é um lindo saudável menino. Uh........ mas já? Não estou pronta, para tudo! Põe ele de volta ai dentro... 

Não tem como colocar ele de volta lá dentro, não tem como não sentir a responsabilidade de "virar" mãe de um minuto para o outro, não tem como não olhar aquele ser vivo que você gerou pela primeira vez e não se sentir perdida, assustada e feliz... Não tem como não o amá-lo instantaneamente! É o único e verdadeiro amor a primeira vista mesmo!

Feliz aniversário I.!!!! 


sábado, 25 de julho de 2015

O medo do mar


Ola meus queridos(as)

Sei que falo e pouco falo dele... meu primeiro marido o P. É difícil falar dele? Não, mas realmente nem sei por onde começar, foram longos e curtos 15 anos ou mais, ninguém contava. Vivemos tanta coisa, crescemos juntos, viajamos juntos, construímos juntos, brigamos juntos, nos amamos muito e MUITO e MUITO mesmo... Era para sempre, mas não foi. Foi para sempre enquanto durou. Acho que nunca realmente escrevi sobre isso porque não sei por onde começar, um post apenas não seria suficiente para fazer jus ao que realmente vivemos, ele merece um blog inteiro!!!! Então, hoje, senti vontade de falar dele sem nenhuma ordem cronológica.

Seus cabelos já eram grisalhos quando o conheci (apesar de ser alguns poucos anos mais velho que eu e estarmos começando a faculdade), e ao longo dos anos ficaram mais brancos e lindos, alto, esguio, e com toda essa postura, era um pouco inseguro, sensível e pela primeira vez (de muitas) o vi chorar, procurando meu colo numa madrugada de tempestade. Minha casa (quase nossa nessa época, pois gradualmente ele foi se mudando, uma cueca, uma escova de dente... até ficar com a cópia da chave), era próxima à praia, escutávamos as ondas quebrar a noite gentilmente na praia, até chegar o inverno; e o oceano inteiro se rebelou em enormes ressacas, invadindo a praia, ecoando em todos os cantos, mostrando sua força... e foi numa destas noites frias de tempestades que ele me segurou como se fossemos afundar, embaixo dos cobertores, e o fogão a lenha esquentando o quarto...mas lá dentro dele, tudo era frio. E ele chorou com uma criança, com medo e assim fiquei sabendo que o seu pai tinha morrido afogado alguns anos atrás.

Ele não estava (e se sentia culpado pois não foi), apenas a mãe e o irmão na praia, seu pai simplesmente entrou no mar e nunca mais voltou... e tudo mudou na sua vida depois que recebeu aquele telefonema. Ele tinha uma tristeza profunda dentro dele, que com os anos foi apreendendo a conviver, e amar novamente... viver de novo! E como! Não tinha churrasqueiro melhor que ele, não tinha amigo melhor que ele, não tinha companheiro melhor que ele, não tinha amante melhor que ele... não tinha amor melhor que o dele!!!! Porque ele não simplesmente te amava, ele profundamente TE AMAVA, se unia a você de uma forma inexplicável, ele olhava para dentro de você e sabia tudo!

Mas nas noites de tempestade, quando o mar crescia, enorme, barulhento... ele se agarrava a mim desesperado enquanto eu tentava o acalmar, e acalentar como uma criança assustada. Mas mesmo assim, ele foi ser oceanógrafo, e ama o mar tanto quanto eu! 

Shopping inferno


Ola meus queridos(as)

Talvez eu seja um ser estranho, e o meu filho vai pelo mesmo caminho mas nós, e digo NÓS odiamos shopping center. Perder horas procurando uma vaga no estacionamento, mais horas andando num lugar extremamente claustrofóbio, lotado de paulistas enlouquecidos, com direito a praça de alimentação barulhenta, crianças gritando para todos os lados (quem inventou isso? O que esta de errado em sentar tranquilamente num bom restaurante e comer COMIDA e não plástico?). Shopping para mim é algo parecido com o inferno. MAS a minha mãe insistiu, voltou de New York essa semana querendo ser vó do I. (que ela nunca foi), vamos almoçar no shopping, passar um tempo juntos! NÃO vai dar certo, quer passar um tempo junto vamos no aquário, ou vamos almoçar num restaurante gostosinho aqui na Vila... adiantou? Claro que não, e lá fomos nós e eu já sabendo que ia dar merda.

Dez horas depois, conseguimos estacionar (e era vaga de idoso, mas ela é idosa mesmo e digo MESMO de cabeça, porque o resto das suas funções fisiológicas funcionam muito bem obrigada), identifico um pseudo restaurante que o I. pseudo gosta, ótimo, 20 minutos de espera, ok... não para ela, vamos na praça de alimentação é mais rápido (quem esta com pressa?), tem um M. da felicidade lá... Para tudo, meu filho não come plástico, alias expliquei para minha mãe que nem fungo come Big Mac, é sério, para quem se interessar procure no youtube um experimento que fizeram, compraram um Big Mac com batatas fritas e um x-salada qualquer de uma lanchonete... seis meses depois o Big Mac estava do mesmo jeito e as batatas então intactas, enquanto o x-salada da lanchonete qualquer totalmente podre e decomposto... Ou seja, é tanto conservante que NEM os fungos comem aquilo. Resumindo, tinha um pseudo fast food que realmente FAZ o hambúrguer, caos, ela insistindo que ele comesse, o I. enlouquecido com aquele bombardeamento de estímulos, luz, barulho, multidão... Chega, vamos embora. Mas eu já pedi, não tem nem mesa nesse campo de batalha e eu não vou sair no braço com ninguém para conseguir sentar então foda-se, manda enfiar numa sacola, take out e VAMOS EMBORA! E o I. totalmente estressado... e ela totalmente perdida e eu, fazendo o que sei, manter o mínimo de equilíbrio.

Resumindo, catástrofe total! Puxa, é tão difícil assim de entender? Sei que ela estava com as melhores intenções da face da terra, dou um crédito por pelo menos querer passar um tempinho com o I. mas ela não tem a mínima idéia de quem somos, do que gostamos... nada, minha mãe não nos conhece, e ponto final. Mas toda criança gosta de shopping, os filhos da sua irmã adoram (tive que escutar mais essa, então dá próxima leva eles); pois é, talvez o I. não goste de shopping porque ele não vai, ele gosta de parquinho, ele gosta de praia, ele gosta de ar... sabe oxigênio! Árvore, bicho, água. E enquanto descia a escada rolante ainda tive que escutar uma pivete de, no máximo 10 anos, dizendo que se ela tivesse mil reais iria comprar a boneca não sei das quantas... quase vomite lá mesmo, no pé dos pais dela.

É isso que estávamos fazendo com nossas crianças? Olha, prefiro continuar me sentindo uma alienígena nessa terra estranha e deixar meu filho fantasiar que esta pescando na poça de água da calçada!!!! 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Como o conheci


Ola meus queridos(as)

Eu o conheci num final de tarde agradável, daqueles que você fica com vontade de estar ao ar livre tomando uma cerveja com os amigos.... e era bem isso que eu estava fazendo sentada no Pica Pau (alias se algum dia casarmos a festa será lá no boteco do Pica Pau) numa sexta feira de primavera à quase 5 anos atrás em Peruíbe. Tinha voltado recentemente dos USA, morando em Sampa e de saco cheio de tudo e todos (pensando em voltar para os USA ou morar no Vietnam), qualquer desculpa era desculpa para descer para praia; e assim comecei a passar meus finais de semana lá. Contando os minutos para chegar a sexta feira, enfiar meu chinelo de dedo no pé, e simplesmente descer a serra. Essa sexta não foi diferente, deixei minha mochila (bons tempos que era só eu e uma mochila) na nossa casa de praia, peguei a bicicleta, passei no supermercado e na volta encontrei uns amigos no Pica Pau e por lá fiquei. 

Não reparei nele sentado sozinho em outra mesa até que o M., músico maluco carioca, o convidou a sentar conosco. Ele sentou no outro extremo na nossa mesa, e eu continuei conversando com um amigo jornalista também maluco sobre as ocorrências de OVNIs no litoral sul paulista (pensando bem agora, que grupo de pessoas!), até que ele perguntou algo sobre aquecimento global tentando parecer "inteligente" e eu, finalmente tomei conhecimento da sua existência e total ignorância do assunto! E a professora baixou em mim, e ele provavelmente apreendeu mais sobre mudanças climáticas em 30 minutos do que na sua vida inteira. O tempo foi passando, as cervejas rolando, os amigos indo embora, a mesa diminuindo de tamanho; e comecei a achar que ele era, no mínimo, curioso... baixinho, cabelo escorrido tiguelinha (o I. herdou), caiçara, genuíno, inteligente, engraçado e assim resolvemos ir jogar sinuca juntos. Ele disse que precisava tomar um banho (tinha saído do trabalho na cozinha), emprestei minha bicicleta e fui andando até o São Nunca (nem existe mais) onde iríamos jogar sinuca. Não demorou muito ele voltou, e do nada, literalmente investiu todas as fichas e me deu um mega giga beijo na boca (anos depois ele me confessou que arriscou tudo, ou eu correspondia o beijo ou ele levava um tapa na cara, e estava pronto para qualquer um dos dois desfechos). Confesso também que fiquei surpresa, mas a química já estava instaurada, e assim que ele encostou em mim, peguei fogo e a sinuca ficou para outro dia! 

Chegamos na minha casa (que era perto), literalmente no cio, essa foi a noite que quebramos o sofá e vimos o dia amanhecer encharcados de suor... Quando amanheceu ele disse que precisava ir trabalhar e ligaria mais tarde, o levei até a porta, me joguei na cama e esqueci que ele existia de novo. Antes de capotar pensei, bom, não vou vê-lo mais MAS o cara é bom de cama... Até que antes do meio dia toca o maldito celular, era ele perguntando se eu não queria encontrá-lo mais tarde (pombas, não era para você ter ligado). Meio acordada, meio dormindo, e MUITO surpresa que ele ligou (pois o plano inicial na minha cabeça era começar e acabar naquela noite) disse que poderíamos jantar. 

Eu não estava interessada em me relacionar com ninguém, estava num momento da minha vida que simplesmente não queria nada, muito menos algo "sério" com alguém mas puxa, não custa nada repetir a dose né? Vou ficar na praia mais uns dias mesmos, e assim os dias viraram semanas, que viraram meses, que viraram anos... E foi assim que conheci o pai do meu filho!

Sem água, sem comida, 11 filhos e um jegue


Ola meus queridos(as)

E ai? O que fazer? Parece que a única coisa que faz um certo sentido nesta estória é o jegue...  Assisti um documentário do diretor José Padilha, para quem é péssimo de nomes, ele é o diretor dos dois filmes Tropa de Elite. O nome do documentário é Garapa, e o soco no estômago já começa pelo título, porque Garapa? Porque muitas vezes é o que se tem para dar as crianças, e nem é garapa de verdade, e simplesmente água misturada com açúcar. O documentário acompanha o cotidiano de três famílias, uma na periferia de Fortaleza, outra numa cidadezinha do interior do Ceará e outra perdida no meio do nada mesmo e suas dificuldades EM apenas sobreviver mais um dia. Eles tem algo em comum, passam fome e (sobre)vivem abaixo da linha de pobreza; sem futuro, sem perspectivas de melhoras, sem absolutamente nada. 

Fiquei extremamente deprimida sozinha em casa, o I. estava na natação e o Caiçara trabalhando... quando eles chegaram, acho que nunca os abracei tão forte! Pensei comigo, porque preciso assistir uma realidade dessas para dar valor a minha realidade? Porque preciso levar um tapa na cara desses para acordar? Será algo intrínseco ao ser humano nunca estar satisfeito? Mas estou divergindo da proposta inicial de escrever este post... voltando.

Se prega muito que no Brasil não existe mais fome e blablabla, que nossas desigualdades sociais diminuíram e blablabla, que o poder aquisitivo aumentou e blablabla... acho que esqueceram de avisar essas famílias então que eles não existem mais neste país! Pois é, no documentário eles me pareceram bem reais! E fico me perguntando, o que fazer? É tanta miséria, aquelas crianças esperneando de fome, correndo pela sujeira, imundas, totalmente privadas de qualquer tipo de infância, assistência médica, desnutridas; é no mínimo um quadro desesperador, por aonde começar? Parece meio óbvio, controle de natalidade. Um planejamento familiar OU em último caso, laqueadura!!! Você adulto passar fome é uma tragédia por si só MAS colocar 11 crianças no mundo para passar fome com você é cruel, é desumano.

Os números provam que a taxa de natalidade no Brasil vêm diminuindo ao longo das últimas décadas,  em 2000 a taxa bruta de natalidade (por mil habitantes) era de 20,86 e em em 2015 14,16 segundo o IBGE. Hoje, temos então um filho e meio por habitante. Precisamos entender que essa é a taxa BRUTA de natalidade, quando fazemos a mesma estatística AGORA separando por classes sociais ou mesmo unidades federativas, os números são bem outros. Resumindo, gente pobre em Roraima tem um filho atrás do outro, enquanto gente rica no Rio Grande do Sul tem um filho e olhe lá! Eureka, descobrimos o porque a taxa de natalidade do país vêm caindo e não é mais uma prioridade nas políticas públicas adotadas. E daí? Toda essa explicação teórica não ajuda em nada aquelas famílias... fica menos sofrido quando pensamos em números MAS o choro daquelas crianças passando fome ecoa nos meus ouvidos. 


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Maldito Stalin


Ola meus queridos(as)

Sempre tive problemas com o autoritarismo, não que isso me tornou uma rebelde sem causa (ou com causa), protestando, sendo do eterno "contra", levantando a bandeira da anarquia e arrancando o sutiã em praça pública. Claro que já fui adolescente, numa época no mínimo interessante na história deste país, a primeira vez que votei para presidente (não só eu mais muita gente) tinha 16 anos, fui filiada ao PCB, acreditei piamente num socialismo, lia qualquer coisa marxista que caia na minha mão (dos clássicos O Capital e o Manifesto Comunista, aos escritos de Engles, a biografia de Trotsky e outras grandes cabeças da revolução bolchevique como Lenin e Zinoniev). Chorei quando estive no México e visitei a casa onde Trotsky foi assassinado no seu exílio a mando de Stalin enterrando qualquer possibilidade da revolução socialista dar certo, exterminando o único "herdeiro" de Lenin e seu sonho socialista (sério, eu acreditava piamente que a polarização mundial não teria existido se o filho da puta do Stalin não tivesse assassinado Trotsky e muito menos tivesse exilado meu avô durante a segunda guerra).

Meus pais, na época, nem estimulavam nem podavam esse meu interesse, até porque suas vivências da ditadura ainda eram muito recentes, e eles no fundo tinham um certo medo que o regime democrático não se instaura-se e a ditadura voltasse com força total. Quando as coisas apertaram lá pelo final dos anos 60, eles "sumiram" de circulação; e não porque meus pais eram grandes ativistas políticos, simplesmente porque eles eram médicos. E como médicos, quando os prisioneiros políticos torturados chegavam entre a vida e a morte no pronto socorro do hospital, com escolta militar e sei lá eu mais o que, eles não só atendiam como, anos depois, confessaram que fraudaram atestados de óbitos, e retiraram os pseudo defuntos pela porta dos fundos que conseguiram sair do país depois. Era uma rede, sem muita articulação ou liderança, mas como médico você não iria deixar a pessoa morrer, ou simplesmente manter ela viva para mais uma sessão de tortura e ponto final. E assim quando alguns outros médicos foram convidados a prestar depoimentos no DOI-CODI eles foram fazer um "estágio" no Chile por alguns anos... até hoje meus pais não acham que fizeram nada de mais, nada que qualquer outra pessoa teria feito, mas vários colegas médicos deles nunca mais voltaram dos seus depoimentos no DOI-CODI e eles optaram por "aceitar" uma bolsa de estudos no Chile (onde eu fui concebida). Até hoje, meus pais não falam muito sobre esse momento, imagino o porque e respeito... muitas pessoas morreram, as cicatrizes das torturas eram reais e o medo ditava a ditadura. 

Mas eu sonhava com uma sociedade sem capital, onde não havia propriedade privada, você fazia parte de uma grande família compartilhada, onde as pessoas eram iguais, e nada tinha valor material... e a união fazia a força! Linda ideologia, mas Marx passou muito longe! Ele esqueceu a coisa mais fundamental, gente é gente! Mas por muitos anos, deitava na minha cama lendo Che Guevara, com a bandeira da União Soviética estampada na minha parede e ingenuamente esperava "a mudança"; finalmente o fim da ditadura e o começo da revolução vermelha! Lembro o dia que conheci o Roberto Freire, estava na sede do PCB (que ficava na Av. Angélica, ajudando uns companheiros a separar uns panfletos para o tal comício da vitória na Candelária, no Rio de Janeiro.... eu que faço qualquer coisa hoje para não ter que ir para o Rio, fui de livre e espontânea vontade panfletar lá de ônibus, pode?). Roberto Freire, o presidente do PCB, candidato a presidência da república, exilado político anistiado, educador, filósofo... e o currículo dele ficava cada vez maior a cada panfleto que eu organizada suando frio! E ele simplesmente sentou do meu lado, curioso e tive a melhor aula sobre socialismo da minha vida. Mais, a melhor aula sobre cidadania da minha vida! O Freire era um fofo, até hoje sua carreira política impecável, honesto... pena que só na minha cabecinha ele iria ganhar as eleições (para quem não lembra, nem chegamos no segundo turno, deu Collor... pois é, do céu a terra MESMO!). Mas ele era uma pessoa muito íntegra, o convidei a dar uma palestra no colégio que estudava (o Santa Cruz), muito solicito não só ele foi, como aguentou um bando de adolescentes filhinhos de papai (na época os netos do Montoro estudavam lá e metade da nata paulistana e todo mundo era direita, menos os padres, os "maconheiros" e eu). E assim meu sonho de uma sociedade comunista foi por água a baixo, entrei na faculdade, virei "gente" mas cultivei alguns resquícios desta época, uma bolsa de couro surrada, minhas alpargatas, o livro O Castelo do Kafka que o Freire me deu de presente, minha crença num mundo melhor e que o Stalin FUDEU tudo!!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A parede


Ola meus queridos(as)

Porque é tão difícil ignorarmos a ignorância do outro? Porque acabamos argumentando, justificando... enfim, entrando na pilha do outro ao invés de simplesmente dar as costas e sair andando? Bom, na verdade para mim especificamente não é nada difícil, alias sou da filosofia que louco é quem fala com a parece! Parei de tentar argumentar com a parede faz tempo... O que é a parede? A parede não escuta (muito menos ouve), a parede é irredutível, impenetrável, estática, não vai para lugar nenhum...  a parede não quer troca, ela é soberana e absoluta na sua existência e verdade. Existem, infelizmente, uma categoria de pessoas paredes neste mundo. Quanto mais rápido as identificarmos mas fácil fica a nossa convivência com elas, pois elas estam por ai, em todo lugar.

Ontem o Caiçara chegou meio puto com um colega de trabalho, rapidamente pelo discurso percebi que esse faz parte da categoria parede, tanto faz quanto fez, ele não vai mudar uma unha, independente do que você fale ou faça. Então porque se desgastar? Ele disse que eu tenho sangue de barata... Não acho que seja isso, simplesmente não perco meu tempo falando com gente que não quer escutar, até pode parecer prepotência MAS também não é; apenas um mecanismo que desenvolvi ao longo do tempo, dar murro em ponta de faca só machuca, argumentar com a parede só causa estress.

É um exercício diário, mas com o tempo vamos nos monitorando, nos treinando e fica natural simplesmente aceitar a parede e tudo bem. Claro que nós queremos que a parede nos escute, que a parede mude, ou mesmo lá no fundindo, que a parede reconheça que é uma parede; perda de tempo. Todos nós temos algum amigo parede, familiar parede, colega de trabalho parede e cabe a nós, não paredes, apreender a lidar com eles. Aquele ditado: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura; não se aplica a parede!