quarta-feira, 30 de março de 2016

Não temos mais "todo o tempo do mundo"


Ola meus queridos(as)

Depois de muito tempo, acho que baixei a guarda e simplesmente me permiti aproveitar a companhia da minha mãe num almoço de Páscoa. Depois de muito tempo, olhei para ela e notei inúmeras novas rugas (será que passei tanto tempo sem "olhar" para ela ou as rugas surgiram ontem? Mais provável a primeira hipótese). Depois de muito tempo, olhei para ela e vi sua dificuldade ao caminhar quase mancando; seu armário do banheiro cheio de analgésicos e uma ampola de morfina (sabia que tinha sido diagnósticada com displasia coxo-femural mas não falei nada, nem uma palavra). Depois de muito tempo, olhei para ela e sua vontade de simplesmente me agradar (ela até comprou numa cerveja para mim!), agradar o I. com o ovo de Páscoa mais caro da Kopenhagen e simplesmente conversar, passar um tempo junto.

Tempo que talvez não seja eterno; bom, nunca foi eterno mas contemplar o fato que não temos mais "todo tempo do mundo", como dizia Renato Russo, é revelador. Prometi, silenciosamente, a mim mesma que não vou desperdiçar mais o tempo que nos resta, vou visitá-la com mais frequência, vou traze-lá de forma mais presente a minha vida e do I., vou convidá-la para almoçar, ir no zoológico, no parquinho, no cinema... enfim, deixar minhas picuínhas e mágoas de lado e parar de perder tempo.

O Caiçara, uma vez me disse: Você não sabe a dor que dói uma saudade. Ele fala isso sempre quando se refere aos pais (os dois já falecidos) de uma forma muito melancólica... Quando chegar a minha vez de sentir a "dor que dói uma saudade" espero poder ter saudades do tempo que tivemos juntos e não do tempo que desperdicei.

    


5 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa!
    Saudades de você!

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela iniciativa!
    Saudades de você!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aqui tudo em dobro!!!! Obrigada... saudades também.

      Excluir
  3. Querida!!!
    Como gosto de ler seu blog. Me identifico com vc. Tb namorei um dq. Tb tenho um irmão médico que não aceitava. Mas mesmo assim tentei. Fiquei cinco anos lutando com meu dq. Mas, há dois meses, ele recaiu e o mandei embora. Ele foi. E meu coração só obteve um pouco de conforto ao ler os seus posts. Sempre confiantes. Obrigada por compartilhar suas experiências.
    Kelly, Sorocaba

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querida, fico feliz que as "melecas" que escrevo aqui seja um pequeno conforto para você. Lembre-se, tudo passa; as coisas ruins e as boas também (infelizmente e felizmente). Mega beijos e sinta-se abraçada!

      Excluir